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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Aniversários

Hoje, 30 de julho, comemoramos os aniversários do meu marido e do nosso casamento. Fui esperta, me casei no dia do aniversário dele pra que não houvessem desculpas para esquecimentos.
Trocando alianças.

Hoje fazem 5 anos do nosso casamento legal, já que vivemos juntos por 12 anos antes de oficializar as coisas. No total já são quase 18 anos de união e amor.


Quando nos conhecemos não esperávamos muito dessa relação, talvez por isso mesmo tenha dado certo pois não criamos expectativas, apenas deixamos acontecer. Nossa vidinha é simples, rotineira, sem recursos financeiros que nos permitam jantares, festas, viagens, vida social ou cultural.


Mas também não é monótona. Temos a casa cheia de crianças, bençãos que Deus nos concedeu e também brigamos bastante pra animar as coisas. Mas acima de tudo, nos amamos muito.


Então, neste dia especial queria dizer pra você, Carlos, que é o amor da minha vida que eu sou feliz porque tenho você do meu lado. Eu me tornei uma pessoa melhor por que tenho você pra me ensinar a ser melhor.


Carlos e Kátia
Vivemos muita coisa juntos, e o tempo, a rotina, a falta de grana e as dificuldades do nosso dia-à-dia às vezes nos fazem deixar de lado coisas que são importantes. Ficamos vendo nossas imagens no espelho mudando à cada dia e queremos poder parar o tempo.


Mas o mais importante na vida são os momentos já vividos, a estrada percorrida, as boas lembranças, os momentos de aprendizado, crescimento e amadurecimento. Nossas rugas são as marcas da nossa história que é rica, verdadeira e única.


Nada apaga o que já vivemos e nossa história nos dá forças para continuarmos juntos. O amor que sentimos um pelo outro, faz com que a velha chama se mantenha acesa, e o desejo se renove e se aprimore.


E ainda temos muito o que viver. Temos nossas filhas pra criar, muita conversa pra jogar fora enquanto tomamos o nosso chimarrão, muitos planos para pôr em prática, outros tantos ainda por fazer. Temos muito carinho para trocar e amor para viver.


Então: Feliz aniversário meu amor!!! Que tua vida seja longa e feliz, repleta de bençãos e iluminada por Deus e que eu possa estar sempre ao teu lado.


Mt. 7, 25 "E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram  aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha."


quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Velho Pinheiro Torto

Recebi esta bonita mensagem por email e resolvi compartilhar ela aqui.  Espero que gostem.

"Um dia, diante da velha árvore torta, um pinheiro todo vergado pelo tempo, o sábio da aldeia ofereceu a sua própria casa para aquele discípulo que "conseguisse ver o pinheiro na posição correta". 

Todos se aproximaram e ficaram pensando na possibilidade de ganhar a casa e o prestígio, mas como seria "enxergar o pinheiro na posição correta"? 
O mesmo era tão torto que a pessoa candidata ao prêmio teria que ser no mínimo contorcionista. Ninguém ganhou o prêmio e o velho sábio explicou ao povo ansioso que, ver aquela árvore em sua posição correta, era "vê-la como uma árvore torta".
Só isso! 
Nós temos, em nós, esse jeito, essa mania de querer "consertar as coisas, as pessoas, e tudo o mais" de acordo com a nossa visão pessoal. Quando olhamos para uma árvore torta, é extremamente importante enxergá-la como árvore torta, sem querer endireitá-la, pois é assim que ela é.
Se você tentar "endireitar" a velha árvore torta, ela vai rachar e morrer, por isso é fundamental aceitá-la como ela é.
Nos relacionamentos, é comum um criar no outro expectativas próprias, esperar que o outro faça aquilo que ele "sonha" e não o que o outro pode oferecer. 
Sofremos antecipadamente por criarmos expectativas que não estão alcance dos outros. Porque temos essa visão de "consertar" o que achamos errado. 
Se tentássemos enxergar as coisas como elas realmente são, muito sofrimento seria poupado. 
Os pais sofreriam menos com os seus filhos, pois, conhecendo-os, não colocariam expectativas, que são suas, na vida dos mesmos, gerando crianças doentes, frustradas, rebeldes e até vazias. 
Tente, pelo menos tente, ver as pessoas como elas realmente são, pare de imaginar como elas deveriam ser, ou tentar consertá-las da maneira que você acha melhor. 
O torto pode ser a melhor forma de uma árvore crescer. 
Não crie mais dificuldades no seu relacionamento, se vemos as coisas como elas são, muitos dos nossos problemas deixam de existir, sem mágoas, sem brigas, sem ressentimentos. 
E, para terminar, olhe para você mesmo com os "olhos de ver" e enxergue as possibilidades, as coisas que você ainda pode fazer e não fez. Pode ser que a sua árvore seja torta aos olhos das outras pessoas, mas pode ser a mais frutífera, a mais bonita, a mais perfumada da região, e, isso, não depende de mais ninguém para acontecer, depende só de você.
Pense nisso!"
Autor: Paulo Roberto Gaefke

terça-feira, 27 de julho de 2010

Tocando em frente

Tocando em frente - Almir Sater


Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso,
porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte,
mais feliz quem sabe
Eu só levo a certeza de que
muito pouco eu sei,eu nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir
Todo mundo ama um dia
todo mundo chora
um dia a gente chega
no outro vai embora
cada um de nós compõe a sua história
e cada ser em si
carrega o dom de ser capaz
de ser feliz

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Insanidades humanas

Esta semana vivemos o triste caso do atropelamento e morte do jovem Rafael Mascarenhas, 18 anos, filho da queridíssima atriz Cissa Guimarães.
Sou fã da Cissa desde que me lembro de assistir novelas e ela me conquistou, assim como ao Brasil todo, pela sua contagiante alegria e simpatia. Foi mãe jovem e sempre se exibiu orgulhosa de seus 3 lindos filhos.
Pois o mais moço deles, o seu bebê, foi bruscamente arrancado da vida depois de um acidente brutal, causado pela imprudência aliada à irresponsabilidade.
As investigações ainda estão em curso, mas a mim parece óbvio que o veículo que causou a morte de Rafael estava em alta velocidade, haja visto o número e a gravidade das lesões sofridas pelo menino.

Mas o que mais me choca nesta história não é nem a violência do acidente, nem a inversão da lei natural do universo, forçando uma ainda jovem mãe a enterrar seu filho que só desabrochava pra vida. Eu também sou mãe e nem quero imaginar o tamanho dessa dor. O que é chocante mesmo, é a atitude dos policiais, que deveriam ter prestado socorro imediato à vítima, apreendido o carro e conduzido o jovem motorista à delegacia. Lá na delegacia, o jovem poderia chamar o seu pai e o seu advogado que os ajudariam a dar as devidas explicações do ocorrido e logo depois, voltar pra casa, senão tranquilo, pelo menos sabedor de que estaria arcando com as consequencias de seus atos, coisa que TODO pai e e mãe deve ensinar aos seus filhos.

Em vez disso, a polícia cobra propina para esconder o carro e eliminar vestígios e "livrar a cara" do motorista, que por sua vez liga pro pai, que deveria ter chamado o filho à razão, e ambos aceitam a farsa e  concordam com a corrupção.



Cissa e os filhos, Thomáz, João e Rafael. Clique na foto e veja a reportagem original.






Mais uma vez assistimos ao caso de jovens, filhos da classe média alta, usando o poder do dinheiro ou da influência do nome de família para tentar escapar, fugir das suas responsabilidades. E fazem isso com o apoio dos seus pais, que apavorados com a possibilidade de comprometer o futuro dos filhos com uma condenação ou simples mídia negativa e acobertam a verdade, julgando estar fazendo a coisa certa. Mas não pensam no futuro dos filhos dos outros, sepultados precocemente, e nem tem uma real nção do prejuízo que causam ao futuro dos seus próprios filhos, quando lhes negam o direito de aprender algo com seus erros e compromentendo-os com o estigma de irresponsáveis e corruptos fraudadores da lei.

Mas apesar de toda a indignação que este caso nos proporciona, não podemos crucificar este motorista (que por ironia do destino também se chama Rafael) nem seu pai. É possível que assustado com o que fez e recebendo em seguida a pressão policial, tenha se deixado levar pelo desespero e induzido o pai a acompanhá-lo no erro. Não justifica, mas explica.O que não tem explicação nem justificativa é a atitude dos policias, omissa e corrupta.

Até quando veremos casos como este? Estamos todos doentes, insanos. É preciso buscar a cura da nossa sociedade e ela pode vir de uma única Lei, anunciada há séculos em forma de mandamento: Ame ao teu próximo como a ti mesmo. E essa Lei deverá se fazer cumprir, sob pena de nos tornarmos definitivamente animais irracionais, predadores de nós mesmos, sem sentimentos de amor e fraternidade, usando somente os instintos mais baixos, que nos fazem querer prevalecer sobre toda a espécie humana, subjugando os demais, só para nos sentirmos maiores, quando na verdade estamos só pisando uns em cima dos outros. Isto sim é o que eu chamo de Insanidade.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Idade

Falando em aniversários, e este mês e no próximo são muitos por aqui, fiquei pensando sobre a minha idade. Estou prestes a completar 40 anos e esse número redondo que me joga definitivamente na era dos "enta" é com certeza um divisor de águas.

Às vezes me sito tão velha, já vivi tanta coisa, já passei por tantas emoções, provas, perdas e conquistas que me sinto como se já tivesse vivido 100 anos.

Por outro lado, me sinto ainda tão jovem, com tanta vida pela frente e capaz de realizar tantas coisas que me sinto como se ainda tivesse só 5.

Acredito que a nossa idade é feita de uma complexa equação entre fatores distintos como nossa idade cronológica, que é aquela que temos em nossa carteira de identidade; a idade física, resultado de como cuidamos do nosso corpo e dos efeitos de vícios, má alimentação ou doenças; a idade mental que se constitui de nossa capacidade de rir de nós mesmos sem nos tornarmos irresponsáveis ou levianos; tudo isso multiplicado pelas experiências vividas, aprendizado e auto-conhecimento, somado às expectativas para o futuro e dividido pelas frustrações e perdas acumuladas.

Do resultado dessa "conta" da qual não conheço a fórmula teríamos então a nossa idade real.

Toda essa conversa sem pé nem cabeça é pra dizer que apesar das minhas rugas, cabelos brancos e kilos a mais que me envelhecem mais do que eu gostaria, minha mente me enxerga ainda como uma menina, cheia de sonhos e planos que espero ainda poder realizar.

Estou ficando velha, isso é fato. Mas só na carteira de identidade e talvez no corpo físico. Na alma, ainda sou só uma criança...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Meu filho



Allyson, aos 2 anos
Me tornei mãe aos 17 anos, numa tarde fria de inverno, quase três meses antes da data prevista, há exatos 22 anos atrás.
Mal sabia cuidar de mim, mas me julgava preparada para a tarefa, afinal, julgava eu, o que mais eu precisava saber pra cuidar de uma criança além de trocar fraldas, dar banho e alimentar?
Essas coisas podem ser suficientes para cuidar dos filhos dos outros e por um curto tempo, mas para um filho é preciso muito mais, só aprendi isso na prática.
Apesar da minha pouca (quase nenhuma) habilidade em ser mãe, meu filho cresceu e se tornou um homem em todos os sentidos que esta palavra pode ter. Me orgulho imensamente vê-lo tirando ótimas notas numa faculdade que ele mal tem condições de pagar e onde chegou sem ter feito curso pré-vestibular.
Me orgulho de saber que apesar de estar longe de casa e sozinho, esta cuidando de si, trabalhando e estudando.
Me orgulho da sua inteligência, do seu senso de humor, da sua visão de mundo, dos seus gostos pessoais, da pessoa que ele se tornou, da sua capacidade de amar.

E eu nem tenho muito mérito nisso. Ensinei o que pude, mas aprendi muito junto com ele. Na verdade, crescemos juntos, enquanto ele crescia em estatura e graça, eu crescia como ser humano.
  
Então hoje, quem comemora este aniversário sou eu, o dia em que eu nasci para o mundo adulto, que nasci para a maternidade, para a responsabilidade.
Feliz aniversário meu filho. Nenhuma palavra que eu conheça é capaz de expressar todo o amor e admiração que eu sinto por ti.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Reunião dançante

Ontem enquanto escrevia sobre o dia do amigo, minhas lembranças me leveram até uma época muito animada da qual me lembro com muito carinho, a das reuniões dançantes.

Eram encontros que aconteciam geralmente numa garagem ou na casa de alguém, com música pra dançar, guaraná e coca-cola, pastéis, biscoitos e nega-maluca. Terminavam em torno das 10 da noite e eram absolutamente inocentes. Dançávamos alegremente as músicas da época,  de LP's trazidos pelos participantes da "festinha". Mais pro final, aparecia um LP de música lenta, que era tocada à meia luz, momento de "casar" na festa. Esse casar resumia-se a se formar um par para dançar juntinho e ouvir a zoação dos outros o resto do mês. Só.
Mais tarde é claro isso tudo foi mudando, o horário começou a se estender até a meia-noite, clandestinamente já aparecia uma garrafa de vinho ou cerveja e a hora de "casar" já rendia alguns beijinhos no final da festa e às vezes evoluiam para um namoro. 

Um pouco mais adiante as festinhas já contavam com alguns casais de namorados e mais alguns "solteiros" querendo se arrumar, as músicas já eram melhor distribuídas e a pouca luz já era norma desde o início. Mesmo com bebida alcólica e alguns avanços dos casais mais afoitos, tudo era muito diferente do que é hoje. Com educação e respeito, sem agressões, pois os brigões eram praticamente banidos dos grupos.

Estas épocas distintas também significavam grupos diferentes que iam ficando maiores com o passar do tempo. Esses grupos tinham histórias próprias, de paixões não correspondidas, de amores platônicos, de ciúmes patológicos. Mas apesar disso tudo ou talvez por causa disso tudo, era bom, divertido, intenso. Grandes amizades surgiram alguns romances iniciaram e termiram, alguns outros poucos vingaram e deram frutos.

Como estou morando em outra cidade, mantenho um tímido contato com algumas dessas pessoas, outras nunca mais tive notícias. Mas todas fazem parte de um época bacana da minha história. E que contada assim parece ter acontecido no século passado. E não é que foi?

terça-feira, 20 de julho de 2010

Dia do amigo

Hoje é dia do amigo, como se amigo precisasse de um dia para ser lembrado. Amigos são lembrados à cada instante de nossa vida, seja ele bom ou ruim.

Amigos são aquelas pessoas que riem das nossas bobagens e choram com as nossas angústias e pessoas assim não são esquecidas nunca.

A gente se afasta, porque a vida segue seu curso e cada um toma seu rumo. Algumas relações se perdem por conta da distância e do tempo que separa as pessoas, mas os afetos, esses permanecem sempre.

Poderia citar aqui uma centena de amigos com os quais convivi em determinada época da minha vida e que nem sequer sei por onde andam agora. Muitos amigos de infância e juventude reencontrei na internet, depois do surgimento do orkut, mas muitos nem por lá se acha.

Reencontrar amigos no orkut tem dois lados também, o bom da emoção de ter notícias daquela pessoa querida que foi importante em sua vida num certo momento, outro ruim, de se perceber tão distante que a amizade vai ficar só na lembrança e em recados e emails.

Temos nossos pais, amigos primeiros da vida, irmãos que embora não sejam próximos se tem um amor enorme, marido meu melhor amigo sem dúvida e meus filhos que graças à Deus também são meus amigos queridos.

Mas existem amigos que estão mais próximos, se fazem presente em nossa vida, mesmo que o dia-à-dia não nos permita uma proximidade maior, tal qual desejávamos. Eles se fazem presentes em momentos estratégicos, quando você precisa de uma força, ou quando está tão feliz que se não dividir com alguém explode. Estão sempre por perto dando uma passadinha rápida só para dar um "oi", num recadinho mandado especialmente pra você, num telefonema ou mensagem dizendo que gosta de você e sente sua falta.

Gostaria de citar todos os nomes de meus amigos de todos os tempos que se fizeram especiais por terem participado de algum momento importante da minha vida, mas o espaço é pouco e corro o risco imperdoável de esquecer de alguém.

Deixo aqui então o meu abraço, o meu carinho e o meu amor, à todos aqueles que já foram ou são meus amigos e amigas. Das brincadeiras da escola, as primeiras confidentes, parcerias de festas, colegas de trabalho, vizinhas, amigos virtuais que nunca abraçamos mas sentimos tão próximos quanto os reais, enfim...

Amigos e amigas, desejo à vocês um Feliz Dia do Amigo. E que o afeto que nos une seja infinito.





segunda-feira, 19 de julho de 2010

Efeitos positivos

Escrever é mesmo um exercício que melhora com a prática. Já sinto os efeitos do blog, minha mente fervilha de ideias. Ainda e difícil me concentrar e organizar os pensamentos de forma coerente e de fácil entendimento pra quem lê, mas já se tornou bem mais fácil pensar sobre o que escrever.

Aliás, sobram-me assuntos. Tenho escrito muito, mas isso também é um problema pois uma ideia puxa outra e o assuntos acabam ficando muito longos, enfadonhos. Mas estou trabalhando para reduzir e poder postar aqui.

Meus primeiros post foram bem tímidos, desorganizados e sem assunto, mas quando consegui encontrar um tempinho entre trocas de fraldas e etc e me dedicar um pouco mais ao exercício, recebi os primeiros elogios. Claro que vindo de familiares e amigos, mas creio sinceros e já me fizeram acreditar que era capaz de fazer melhor.

Também recebi as primeiras críticas, construtivas, amigáveis, particulares, mas que me fizeram mudar uma coisa ou outra. Afinal é pra isso que servem as críticas, pra nos fazer rever o que temos feito e tentar fazer melhor.

Meu principal crítico, e a opinião que mais me importa é do meu marido, meu amor, que concertou uma coisinha aqui outra ali, mas me incentivou muito a continuar. Eu teria continuado mesmo sem a aprovação dele, mas é claro que o apoio e incentivo do meu melhor amigo é fundamental.

Só sei que agora me empolguei. Começo a ter cada vez mais ideias e o cuidado com o blog, a tímida mas insistente divulgação para que pelo menos os amigos leiam e comentem, pensar, escrever, consertar, aprender a usar as ferramentas de que disponho, tudo isso está me fazendo muito bem. Me faz perceber que meu cérebro apesar de lento ainda funciona e que sou capaz de produzir algo que seja interessante pelo menos para quem me conhece.

Se ainda não é bom, já está um pontinho acima do razoável e com o bem que isso tá fazendo pra minha tão judiada auto-estima, vai melhorar muito com o passar do tempo e com a ajuda dos meus "leitores". Mais do que uma promessa, isso é uma certeza.

Obrigada aos amigos que perdem um tempinho pra ler e comentar minhas historinhas.

domingo, 18 de julho de 2010

Frio e chuva

Entendo que a mudança de estações faz parte da vida mas, me perdoem os amantes do frio, eu odeio inverno. Ainda mais aqui no sul, onde as temperaturas frequentemente se aproximam de zero, inclusive negativamente, e onde a umidade é sempre muito alta.


Desde criança já não gostava. Ter que sair da cama quentinha pra ir pra escola ou trabalho, se encher de roupas a ponto de parecer um robô que mal pode se mexer, enfrentar aquela serração que não nos permite ver nem o nosso pensamento, ou aquela chuvinha fina com vento que não tem sombrinha que dê jeito, molhar os pés e passar o dia inteiro com eles molhados, ter pés, mãos e a pontinha do nariz eternamente congelados....

Sem falar nas gripes, pneumonias, amigdalites, laringites, faringites, bronquites, otites, renites, sinusites e todo o resto da família dos "ítes", comuns nessa época do ano principalmente para quem tem crianças.

Nunca consegui entender aquela horda de turistas que vem pra cá pra "curtir" o frio. Se bem que passar frio de férias em um hotel 5 estrelas pode até ser divertido, embora ainda tenha minhas dúvidas.

Depois que me tornei mãe, esta estação do ano além de ser odiada, passou a ser temida. Além de todas as chatices do tempo em sí, ainda tenho outras preocupações. Por exemplo:

- Dar banho e vestir 3 crianças pequenas, passeando pela casa do banheiro até os quartos, sem que se resfriem e peguem uma pneumonia;
- Fazer elas entenderem que chinelos e sapatos são para ficarem nos pés e não de enfeite em cima dos móveis;
- Mantê-las presas dentro de uma casa pequena sem espaço para correrem e extravasarem aquele monte de energia acumulada;
- Fazer mágica para lavar aquela tonelada de roupa que se tira a cada banho, mais lençóis, toalhas, etc e fazer com que sequem mesmo quando chove por 10 dias seguidos em parar.

Por esses e outros motivos, fico deprimida no inverno. Muitos dias cinzas, escuros, frios...Prefiro muito mais o calor, pouca roupa, muita gente na rua, horário de verão, cerveja gelada, sorvete. Só o que me consola, é a certeza de que depois do inverno, sempre vem a primavera.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Lembranças da infância

Nasci em Porto Alegre e vivi 20 anos no mesmo bairro. Mesmo estando aqui já há 15 anos, ainda me lembro do cheiro e dos sons daquele lugar. Sou capaz de refazer o trajeto da minha casa pra escola mentalmente e tropeçar nas mesmas pedras, nos mesmos buracos das calçadas, que aliás continuam todos lá.

Tinha 5 anos recém completados quando fomos morar no Parque São Sebastião, num apartamento novinho em folha. O bairro na época parecia uma cidadezinha do interior encravada dentro da capital. Conjuntos de prédios todos parecidos, algumas casas. Pouco comércio, limitado a dois armazéns e uma padaria. Ruas tranquilas, silenciosas, quase sem trânsito.
Imagem aérea do prédio onde morei (Google Earth)
Aprendi, ou tentei aprender, a andar de bicicleta nas ruas desertas entre o prédio onde morava e o clube Lindóia, que ficava no bairro vizinho, bairros tão próximos que se confundiam. Entre nós e o clube, diversas ruas, já demarcadas e calçadas, com lotes completamente vazios, e mais próximo ao clube uma ou duas fileiras de casas. Íamos ao clube passando por cima dos terrenos.

Era possível visualisar ao longe as pistas do aeroporto Salgado Filho, os aviões decolando e pousando. Foi com muita curiosidade que assisti ao início das obras da parte norte da Av. Sertório, derrubada de árvores e máquinas aplainando o terreno. Aliás, esse foi o início de muitas mudanças no bairro. A chegada da civilização dizem alguns, o fim do sossego dizem outros.

O bairro cresceu. Nos terrenos vazios do Lindóia onde eu andava de bicicleta, assistia aos pousos e decolagens do aeroporto e caminhava sem barreiras até o clube, hoje existe uma escola, onde estudei por 7 anos, muitas novas casas e prédios ricos, muito comércio, muito trânsito. O lindóia e o Parque São Sebastião agora são claramente divididos.

O São Sebastião, ou Sebá para os íntimos, também mudou. O comércio aumentou bastante, mais prédios foram costruidos, alguns no lugar de casas que já não existem mais. Tá muito diferente. Mas ainda é o mesmo na essência. No armazém da esquina onde seu Zé botava a filharada pra trabalhar, hoje quem cuida é o Gilmar, um dos filhos do seu Zé.

As ruas ainda tem o mesmo cheiro, o mesmo som e o mesmo colorido da minha infância e adolescência e alguns poucos amigos ainda moram por lá. Mas quem nunca se mudou de lá foi o meu coração, que se enche de calorosa alegria com essas lembranças.

E as lembranças são tantas, uma puxando a outra que vou terminar por aqui antes que este post vire um livro de memórias. 

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Algo de bom

A EM não me trouxe só angústias. Algumas coisas positivas também surgiram a partir dela e até por causa dela. Por exemplo: minhas filhas. Eu tinha intenção de ter mais um bebê e acabei ganhando três. Mas a coisa mais positiva que ganhei por causa da EM e também por causa das minhas filhas, foi perder o medo de falar em público.
Desde criança sofria muito em situações assim. Na escola, toda vez que tinha falar em voz alta, mesmo conhecendo toda a turma e tendo muitos amigos entre os colegas, ficava vermelha igual um pimentão, meu coração disparava parecia querer fugir de dentro de mim, minhas pernas tremiam e minha voz sumia. Era um horror. Quando tive as gêmeas, meu neurologista me convidou a dar um depoimento num evento sobre Esclerose Múltipla que aconteceu em Porto Alegre no Hospital de Clínicas em agosto de 2008.
Como a EM se manifesta geralmente entre os 20 e 40 anos e atinge mulheres em maioria, acaba afetando jovens ainda solteiras, ou recem casadas, que vêem seus planos de terem filhos abalados. Muito médicos ainda desaconselham a gestação em mães portadoras de EM, mas o meu depoimento serviria para desmistificar um pouco isso.
Afinal a EM tem um componente genético, mas não é hereditária. Além disso, a gravidez por si só é imunomoduladora, ou seja, nos protege de novos surtos que são raros em gestantes. A única contra-indicação é o fato de que a mãe precisa estar em condições de tomar conta do bebê, então mulheres já muito debilitadas pela doença precisam avaliar bem e contar com a ajuda de familiares e amigos antes de decidirem por um filho, até porque durante a gestação (e até mesmo antes dela se for planejada) os remédios são suspensos.
Quando surgiu o convite eu aceitei na hora, pois julgava importante falar da minha experiência, mas ao mesmo tempo me deu um pânico total. Mas contei com a confiança do dr. Alessandro e com o apoio das enfermeiras Silvete e Suzana, que além de tomarem conta de mim, são uns amores e acabaram se transformando em amigas. O apoio e a certeza delas de que eu daria conta me levaram a seguir adiante.
Chegado o momento, pensei em desistir, inventar uma desculpa e desaparecer, mas meu senso de responsabilidade falou mais alto.
O evento tinha vários momentos distintos durante um fim de semana inteiro então fomos eu e meu marido à Porto Alegre e nos hospedamos em um hotel junto com outros participantes do evento. Aí o lado bicho-do-mato bateu forte, não entrava num hotel desde que era criança, nem sabia como me comportar em um. O grupo todo já se conhecia e nós ficamos bem deslocados (meu marido é tão ou mais bicho do mato que eu) e quando fomos para o local do evento onde eu faria o tal depoimento meu estômago doía de tanto pânico.

Mas chegada a hora, subi no palco e com o microfone na mão não me restou outra alternativa a não ser confessar à plateia que minhas pernas estavam tremendo e que eu não sabia muito bem no que aquilo ia dar. Arranquei algumas risadas e acabei relaxando um pouco. Falei. Nem sei bem o que. Apresentei algumas fotos, da família, dos amigos, da barriga enorme, das gêmeas ainda na UTI e depois dos meus filhos todos juntos quando elas já estavam maiores um pouco. Ficou bacana
Meu depoimento foi logo no início do evento, no final do primeiro bloco. Durou uns 10 minutos, se tanto. Mas ainda durante o restante das palestras, muita gente vinha me perguntar algo sobre a gravidez, as meninas ou simplesmente dizer que tinha se emocionado com o meu depoimento.
De bichinho acuado num cantinho, acabei me tornando centro das atenções para muitas pessoas, principalmente mulheres, desejosas de engravidar, mas sem coragem, temendo o lado negativo que a doença traria para esse momento.

Momento Tenso
Dr. Alessandro
Depois dessa ocasião, surgiu outra no ano passado, desta vez eu e meu marido fomos convidados a dar uma palestra num encontro de casais. Embora tenha ficado muito nervosa novamente, minhas pernas já não tremeram tanto, e descobri o segredo de falar em público: dizer que não sou uma profissional do ramo, só uma pessoa comum, convidada a falar sobre minhas experiências e que não tem obrigação de ser perfeita. Adorei a experiência e principalmente a superação como resultado dela. até topando novos convites...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Letícia

Uma pausa no papo. Literalmente.





Minha filha não tá afim de papo... Mas é linda assim mesmo né?

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Ilusões

Sempre fui romântica tanto sobre o amor quanto sobre a vida. Otimista incorrigível, daquelas que mesmo na maior deprê ainda acredita que tudo vai melhorar e que tudo tem solução.
É claro que a vida se encarregou de me tirar muitas ilusões. Essa frase parece uma constatação triste, mas acreditem: não é.

Acreditar em amor perfeito é como acreditar em papai noel. Ambos não existem e se passamos a vida esperando que tragam a nossa felicidade embrulhada pra presente perdemos a possibilidade de sermos realmente felizes e realizadas no amor.

Se acreditarmos somente no amor, tendo a certeza de que perfeição não existe e que a felicidade não irá cair no nosso colo como num passe de mágica, só nos restará ir buscá-la.


Se tivermos a consciência de que a felicidade não é uma condição permanente, saberemos que temos que conquistá-la a cada novo dia e mais do que isso, vivê-la intensamente enquanto dure sem lamentar o momento em que ela for embora pra não correr o risco dela não voltar amanhã, quando tentarmos conquistá-la novamente.

Não esperar das pessoas que nos cercam que sejam perfeitas ou que nunca nos magoem é condição para poder viver o que elas tem de melhor para nos oferecer e oferecermos também o melhor de nós para elas.

A perfeição e a felicidade são irmãs gêmeas. São volúveis e mudam de forma a cada instante. Cabe a nós reconhecê-las em cada pequeno detalhe: na solidão do mar, no pôr do sol, num jardim florido. Detalhes diários que nos passam despercebidos às vezes como o sorriso dos filhos, a ternura estampada no semblante deles enquanto dormem, o olhar da pessoa que amamos...
Perfeição é isso e compreender isso é o que nos aproxima da felicidade.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Descolada ou reprimida?

Fui uma adolescente rebelde. Contestava meus pais, professores e até o governo. Fui namoradeira e isso era uma transgressão para a época. Aliás, ainda é, embora um pecado menos grave a cada ano que passa. Na época começava a se ouvir o termo "ficar" coisa que ainda hoje causa estranamento aos pais. Não sei se ainda se aplica, mas o que eu chamava de "ficar" era dançar com um mesmo guri a festa inteira e TALVEZ dar uns beijos na boca no fim da noite. Inocente, mas avançadíssimo para os padrões até então aceitáveis.

Comecei a trabalhar cedo, aos 13 anos. Não por necessidade, porque embora nossa vida tenha sido sempre muito difícil, não me faltava o essencial, mas porque eu queria mais do que o básico e tinha consciência que meus pais já me davam tudo o que lhes era possível. Em mais um ato de rebeldia contestei meus pais que desejavam que eu só estudasse e fui trabalhar. Por essas e outras atitudes sempre me considerei uma guria rebelde e até descolada. Puro blefe.

Ao longo dos anos fui percebendo que não era bem assim. Fui namoradeira não porque fosse avançadinha, mas por ser romântica e idealizar o amor perfeito, o príncipe encantado, a felicidade plena e eterna. Tenho enorme dificuldade em lidar com as minhas emoções e principalmente falar sobre elas. Quero coisas e sei exatamente o que eu quero, mas externar meus desejos e brigar claramente por eles é uma dificuldade enorme, como se eu só desejasse coisas ruins, proibidas, que não podem ser ditas publicamente, mas na verdade só desejo coisas simples que a maioria das pessoas também deseja. Tenho vergonha do que sinto, mesmo que seja amor. Falar sobre isso então, é um mico tipo king kong, me faz corar, gaguejar e ter tremedeira... Tenho pensamentos obscenos, falo muito palavrão, sou irônica e adoro contar piadas, mas nada disso aparece diante de pessoas com quem tenho pouca intimidade. Escrevendo então, sou muito formal até mesmo quando quero ser engraçada.

Em síntese: sou uma reprimida. Mas conseguir escrever sobre tudo isso é uma vitória. Será um sinal de que tenho cura?

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Efeitos de um diagnóstico

As pessoas não tem idéia do que um diagnóstico de uma doença grave pode fazer com a vida de alguém. Eu com 35 anos, tinha acabado de oficializar meu casamento que já durava 12 anos na "informalidade", com planos para ter um outro filho (tinha SÒ 2 na época), trabalhando muito, com planos de voltar a estudar, planos, planos e mais planos.


De repente acordo num cansaço sem explicação. Mas cansada mesmo, como se tivesse acabado de correr uma maratona carregando um trem nas costas. No outro dia, uma tontura, uma vertigem muito forte, parecendo que tinha bebido todas e mais algumas, de porre mesmo. Mais um ou dois dias e um formigamento no braço e perna direita começou a evoluir para uma paralisia. Pânico total. O que é isso? O que está acontecendo comigo? Uma semana no hospital e alguns exames depois o diagnóstico: Esclerose Múltipla.


E.M. não é uma doença capaz de matar, mas é uma doença grave porque é degenerativa e não tem cura. Só esse fato já é o bastante para desestabilizar qualquer um. Comigo não foi diferente. Primeiro foi necessário conhecer o inimigo: que doença é esta, como eu fui ter isso, como ela evolui e outras tantas perguntas foram sendo respondidas lentamente, com muita leitura e o apoio de fóruns na internet (aí está um dos grandes valores do orkut, para quem o despreza). Depois, aprender a lidar com isso. Apesar de ter perdido todo o movimento do lado direito do corpo, não fiquei com sequelas "visíveis" deste surto (crise), o tipo de E.M. que possuo é o que se chama de surto-remissão, ou seja, depois do auge da crise, a parte afetada retorna ao seu funcionamento normal, ou quase. E talvez isso seja o pior da doença, porque ninguém vê.

As sequelas que ficaram são mínimas e não-visíveis e a maioria delas, subjetivas, difícil de serem mensuradas e avaliadas. Mas eu senti a diferença, senti minhas limitações e elas foram decisivas para que eu perdesse um epremgo de muitos anos. Foram decisivas para que eu desistisse de voltar a estudar, pois sabia não aguentaria a fadiga e esta fadiga não me permitiria aprender como eu gostaria. Fora isso tudo, os acontecimentos que se seguiram no âmbito familiar (e aqui não cabe registro) me fizeram sentir uma profunda falta de perspectiva na vida, uma profunda depressão.


Tentativas posteriores de voltar ao trabalho também ajudaram a me deixar deprimida, pois percebia claramente a dificuldade que teria em retornar ao trabalho na área de contabilidade, que era o que tinha feito nos últimos anos. Precisaria de mais concentração, raciocínio rápido, memória recente e principalmente energia, tudo o que me falta.


Mas em meio à tudo isso vieram as gêmeas e logo depois mais um bebê. Inesperadas mas gratas surpresas, bençãos e bálsamo em minha vida. Elas sugam toda a energia que me resta, mas preenchem minha vida com seus risinhos e carinhas lindas. Minhas filhas e filho me dão força, o amor do meu marido também. O blog é um canal para desabafar e a internet minha ligação com o mundo. O diagnóstico continua tendo os seus efeitos ruins, afinal a doença existe e a injeção diária de Copaxone não me deixa esquecê-la, mas vou levando a vida do jeito que dá. 


Esse vídeo foi veiculado no programa Jornal do Almoço da RBS TV em 24/08/2009 e mostra o centro de referência em Esclerose Múltipla do Hospital de Clínicas de Porto Alegre onde faço o meu tratamento e fala um pouco sobre a doença, com entrevistas com o meu neurologista dr. Alessandro Finkelstejn e meu amigo André Ponce.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Ansiedade

Tem dias que me sinto assim, com uma saudade de não sei o quê, uma vontade de não sei o quê, um medo de não sei o quê... Enfim, o nome disso é ansiedade. Fico indócil, impaciente, como se estivese à espera de alguma coisa que não acontece. Mas não sei explicar o porque disto. Nem porque uns dias me sinto assim e outros não.

É a exaltação da indecisão, uma ode ao "não sei o que quero". E essa sensação ruim, de sentir falta de algo que nem sequer se sabe o que é, de não estar completa, vai trazendo ao longo do dia uma outra sensação, a de tristeza, de depressão. Isso tudo é fruto da falta de trabalho. Não que eu já não tenha bastante com tres bebes em casa, mas trabalhar FORA de casa é o que me falta. Fico presa dentro de casa, pois não tenho como sair sozinha com as 3. Não recebo quase visitas, pois a maioria dos poucos amigos trabalham, me dou com a vizinhança mas não nos "frequentamos", sou bicho-do-mato, tímida e reservada, o que nestas horas não me ajuda nada.

Em síntese: vejo muito pouco outras pessoas adultas, com quem possa conversar e me distrair. As crianças preenchem meu dia com muito trabalho, muitos risos e gracinhas, mas sinto falta de conversar sobre assuntos diferentes de personagens de filmes infantis, fraldas, mamadeiras, cantigas de roda e ursos de pelúcia. Essa falta de papo adulto é que me deixa ansiosa e da ansiedade pra depressão é apenas um passo.

Mas me recupero parcialmente disso logo mais à noite, na hora do chimarrão nosso de cada dia, ao lado do marido. O único adulto que me ouve. Ou não.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Mais sobre a copa

Analisando friamente os fatos depois da eliminação da seleção brasileira pude perceber o que é que está nos faltando: RAÇA. Quem viu o jogo do Uruguai contra Gana sabe do que estou falando. O jogo foi feio, mas via-se claramente uma vontade de vencer nas duas equipes. O que fez com que a vontade Uruguaia prevalecesse sobre a de Gana? RAÇA. 

Nos últimos segundos da prorrogação dois jogadores uruguaios se plantaram dentro do gol para defender com as mãos o gol certo de Gana. É errado, está nas regras, tanto que Suárez que conseguiu meter as duas mãos na bola e tirá-la praticamente de dentro do gol foi expulso. Não acho legal jogador que leva cartão por ser maldoso, machucando o seu colega de profissão. Também acho catimba um recurso lamentável. Mas um cartão por uma atitude extrema assim é um ato heróico. Lamenta-se a perda de um jogador importante para o próximo jogo é claro, mas não haveria próximo jogo se não fosse essa atitude extrema e desesperada. 

O jogador foi expulso e o pênalti marcado. O jogador Gyan de Gana, craque do time, foi lá e chutou no travessão. Falta de sorte diriam alguns. Mas a sorte privilegiou os abnegados jogadores uruguaios, que não sepreocuparam em levar cartão e abrir mão da oportunidade de jogar o próximo jogo, que correram o risco de se tornarem os vilões da sua seleção em nome de uma tentativa última e desesperada de salvar essa mesma seleção de uma derrota nos últimos segundos do jogo. Na decisão por pênaltis, Gana perdeu duas cobranças e o Uruguai... bem o Uruguai ainda tem o tal de "Loco Abreu" que teve a ousadia e a frieza de cobrar o último pênalti de cavadinha e classificar seu time para ass semi-finais.

Que o próximo comandante da nossa seleção possa ser capaz de escolher jogadores que joguem além de tudo o que sabem, que joguem como se suas vidas dependessem do resultado de cada jogo ao invés de se pouparem evitando choques com o adversário ou evitando cartões, pois assim veremos o espetáculo e a emoção de volta aos gramados e quem sabe até seremos campeões de novo.

Suárez defende o gol com as duas mãos.
 

sábado, 3 de julho de 2010

Rivalidades futebolísticas

Ontem estávamos todos tristes com a eliminação brasileira da copa da África, hoje vibramos quando o mesmo aconteceu com a Argentina. Alguns ficam bravos e se perguntam o porque de tanto ódio contra nosso "hermanos", vizinhos tão próximos. Não é ódio, é só rivalidade. Aqui no Rio Grande do Sul essa rivalidade se acirra ainda mais pela proximidade física e por gaúchos, argentinos e uruguaios se misturarem de forma quase homogênea em nosso território. 

Maradona, triste pela desclassificação
Na verdade é uma admiração recíproca, eles nos admiram da mesma forma que nós os admiramos, por isso um não quer nunca perder para o outro. Quem tem irmão sabe do que estou falando. A gente se ama, mais compete entre si e não admite perder. É só isso. Da mesma forma eu como colorada que sou, torço contra o grêmio sempre e "detesto" gremistas. Mas isso fica no campo de futebol, pois sou filha, irmã, esposa e mãe de gremistas. Enfim, minha família não é perfeita. Pelo menos ninguém é argentino...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Cenas de hospital

Agora que já passaram alguns dias e eu ainda me recupero do susto e do cansaço, vou contar minha epopéia hospitalar com minha bebê.

Ela estava há alguns dias com tosse, mas nada demais, ativa, se alimentando bem. Na quarta-feira fui à Porto Alegre, na tal viagem citada no post anterior, quando retornei, já mais de 10 horas da noite ela tava com febre. Dei o anti-térmico, fiz uma nebu e ela ficou bem, quis brincar e fazer folia ao invés de dormir. No dia seguinte acordou bem, mas perto do meio dia teve febre de novo. Novamente mediquei e ela ficou ótima. Dormiu um soninho e qdo acordou tava sem febre mas ofegante e abatida.

Levamos ao PA que encaminhou direto ao hospital. No hospital, enquanto fazia a ficha no balcão ela ficou roxa e então um enfermeiro veio e levamos ela direto para o oxigênio. Este foi o susto, entrar no hospital com minha bebê de 9 meses desfalecida e roxa em meus braços. Pra encurtar a história, ficamos 10 dias lá. Dois dias no oxigênio, soro, antibióticos... Mas ela saiu bem, só ainda com uma conjuntivite que apareceu pra "ajudar".

Mas o pior de hospital é que além de você estar ali com sua filha doente, dormindo sentada numa cadeira horrorosa, passando frio e com suas outras filhas e casa completamente abandonadas, você ainda tem que sofrer com as desgraças alheias. Histórias tristes, dramas familiares de gente que nem conhecemos, mas que não conseguimos nos manter alheios. E ainda tem o povo sem noção. Mães que estão ali, mas se comportam como se estivessem numa festa, falam alto, dão risadas, se reunem em rodinhas pra bater papo enquanto seus filhos choram ou correm pelos corredores com as fraldas sujas fazendo gritaria e bateção de portas tarde da noite enquanto outras crianças (e mães) tentam descansar um pouco. 

O atendimento no nosso hospital melhorou muito nos últimos anos, eu não tenho queixas. Enfermeiras e técnicos todos muito prestativos e eficientes, mas sem pulso nenhum pra controlar esse nosso povinho sem educação.
Essas são só algumas histórias da minha "temporada" no HCB.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Os apertos da vida - Só um desabafo.

Há duas semanas viajei à Porto Alegre para uma consulta no ônibus da prefeitura. É uma viagem muito desgastante pois saímos de casa às 4 da manhã, enfrentamos 3 horas de estrada e mais 1 hora, 1 hora e meia de trânsito na cidade, passamos o dia no hospital pois temos que esperar que todos os pacientes espalhados nos diversos hospitais da capital fiquem prontos e enfrentar a volta. 

Levando-se em conta o tempo de viagem e que a maioria das pessoas ali são doentes, muitos idosos, muitas mães com filhos pequenos no colo, o ônibus deveria ter um pouco mais de comodidade. É uma lata de sardinha onde os bancos, que não reclinam e nem possuem apoio para os pés ou braços, são tão estreitos que metade do corpo de quem senta no corredor fica literalmente no corredor, fora do banco. A viagem, naturalmente cansativa pelo tempo que passamos na estrada e por toda a espera pelo retorno, se torna massacrante por causa do ônibus. 

Vejam na foto o que eu digo: a foto foi tirada do que deveria ser o corredor do ônibus, mas as pessoas sentadas de um lado e do outro do tal corredor se tocam, não deixando espaço para se locomover dentro daquele aperto.
Foto tirada no interior do ônibus, onde deveria haver um corredor...

Quem é gordo tem que ocupar dois assentos e ainda assim corre o risco de ficar com metade da poupança pra fora do banco. Isso é quase um crime contra pessoas que já estão doentes e debilitadas. Fica aqui o meu protesto.
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