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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Coisas de esclerosada

Quando falo de esclerosada, falo do verdadeiro sentido da palavra, da minha condição de portadora de Esclerose Múltipla e não de demência ou velhice como errôneamente as pessoas costumam associar o termo "esclerosado". 

Nós, os mal-acabados, passamos por situações constrangedoras às vezes como conta minha amiga Bruna no seu último post "Manhê... tô pronta..." (leia aqui).

Eu já passei por situação semelhante à que ela conta e em alguns lugares já uso sem muito remorso o banheiro adaptado, principalmente quando estou muito cansada e cheia de dores, situação que propicia micos deste tipo.

Como eu não saio muito e minhas maiores aventuras fora de casa e sozinha são normalmente no hospital ou na viagem até ele, já estou acostumada com os ambientes e situações que encontrarei e já aprendi a me dar bem nelas todas, dificilmente passo por perrengues públicos deste tipo embora já tenham acontecidos alguns.

Uma coisa que noto quando estou assim cansada é a minha escrita. Tenho um cacoete de digitadora que é o de olhar a tela antes de confirmar a digitação, por isso acabo corrigindo a maioria deles antes que apareçam, mas como estou errando para escrever hoje! Penso que se fosse nos meus tempos de digitadora, levaria o triplo do tempo para terminar o serviço! Mas as situações que mais me incomodam, são as corriqueiras, do meu dia-à-dia que por vezes não consigo contornar. Meu maior problema/dificuldade/perrengue diário é com o almoço.

Nunca fui grande coisa na cozinha, é bom que se diga, mas sei fazer uma comidinha simples mas gostosa. Também nunca gostei de cozinhar com pressa, com horário apertado. Gosto de cozinhar com calma, sem pressa e de preferência tendo tudo ao alcance das minhas mãos.

O meu drama se dá justamente porque na maioria das vezes as crianças estão em roda, me atrapalhando e me tirando a atenção que já não é das melhores. Deixar a comida queimar nem é algo tão incomum assim, basta ter que tirar alguma criança da cozinha e pronto, lá se foi o arroz! Já consegui a façanha de queimar Miojo, coisa que decidi fazer num dia que estava cansada e atrapalhada e achei que seria mais fácil, mas não foi. 

Outra coisa que me atrapalha muito é o cansaço. Nos dias em que estou me sentindo como se tivesse carregado o mundo nas costas, passo trabalho até para cortar um legume. Falta força. Sou destra e é justamente o meu lado direito o mais fraco. Em dias de muito calor (e tem feito muitos e em sequencia) os formigamentos aumentam muito e minha força diminui em igual proporção, se estiver me sentindo cansada então, quase tenho que pisar em cima da faca para conseguir cortar uma batata ao meio!

E a questão da atenção e da concentração dão conta de avacalhar com o resto. Alguém já parou para reparar nas formigas andando em fileiras pelo chão? Pois quando você coloca um obstáculo à frente delas elas desviam do caminho e se perdem. Até reencontram o caminho depois, mas perdem um tempão pra fazer isso. Eu sou assim. Se estiver fazendo uma coisa e algo me distrair, e esse algo pode ser uma simples mosca voando ao redor, pronto! Já me esqueço do que tava fazendo, me perco na poeira e quando me dou conta já deixei o arroz queimar, o feijão secar e etc. Me cortar e me queimar também é bem constante, costumo dizer que sou um perigo com uma faca na mão.

Ainda assim minha comida é bem comível. Como já disse antes, é simples, meu cardápio não é muito variado e minha imaginação para a cozinha é perto de zero, mas apesar dessa atrapalhação toda procuro fazer as coisas com um bocadinho de amor. Quando me atrapalho muito e a comida fica muito ruim, fico muito chateada, triste.Se alguém reclamar então, fico pra morrer!


Essa historinha é meio sem pé nem cabeça, mas serve para ilustrar como me sinto com tarefas comuns que pra maioria das pessoas é muito simples e que pra mim por vezes se torna um tormento.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Dando conta

Meu último post me fez pensar em outra coisa que escuto muito: "como você dá conta?" ou "como você administra?"

Ultimamente tenho respondido que simplesmente não dou conta, não administro. Simplesmente deixo a coisa andar.

Pra mim, dar conta seria conseguir cuidar das 3 crianças sem permitir que aprontem, fazer comida, limpar e arrumar a casa, lavar roupa, blogar, e ainda ter tempo pra trocar de roupa em vez de passar o dia de pijama, pentear os cabelos em vez cortá-los bem curtos para não dar trabalho e fazer qualquer outra coisa na vida que fosse pra mim.

Não consigo fazer nada disso, pelo menos não ao mesmo tempo. Ou bem eu cuido das crianças, ou bem faço o resto.

Acho que as pessoas tem curiosidade em saber como eu lido com essa turminha toda, principalmente as que sabem das minhas limitações. Eu digo que nem é tão difícil quanto parece. Claro que minha casa é um caos e se alguém tem problemas tipo necessidade de manter tudo em ordem, no seu devido lugar, minha dica é não tenha filhos ou se tiver, tenha muita grana e contrate muitos empregados para manter a ordem das coisas.
Mas eu já passei o tempo em que me estressava com isso, aliás, parei de me estressar depois do diagnóstico, foi a maneira que encontrei para não enlouquecer de vez. Sei que tenho meus limites e se tentar ultrapassá-los poderei ficar ainda mais limitada, então não forço muito minha barra.


É claro que me esforço para fazer as coisas mais essenciais, reservo minha energia para as crianças principalmente e o resto, vou fazendo conforme posso. Agora então, com todo esse calor de sucursal do inferno que tá fazendo por aqui, só faço alguma coisa mais à noite, quando refresca um pouco e me sinto mais disposta. Durante o dia, só a comida e cuidar das crianças. E não existe nada de "só" em cuidar das crianças.

Na verdade elas querem é atenção. Se fico junto delas, brincando com elas, elas se comportam bem, brincam direitinho e quase não brigam, mas quando estou sozinha, preciso deixa-las sem supervisão para fazer uma coisa ou outra (ir ao banheiro por exemplo, porque também preciso) e é aí que elas aprontam, fazem arte ou brigam.

Quando elas eram bebezinhas era mais fácil, embora todo mundo ache o contrário. Nessa época elas só precisavam de rotina e horários para ter suas necessidades atendidas como alimentação, troca de fraldas e banho. Fora isso, colocávamos elas ali e ali elas ficavam, ganhavam o colinho e a atenção da mamãe sem muito estress, mas depois que cresceram e começaram primeiro a engatinhar, depois a caminhar, aí toda a rotina foi pro brejo. A chegada da Letícia também tumultuou um pouco as coisas, mas aos poucos tento restabelecer a rotina, não mais tão rígida, mas alguma rotina é necessária ou nada funciona nesta casa.

Eu tenho ajuda sim, do marido e da filha mais velha. Mas a ajuda deles nem sempre é como eu gostaria, tem vezes que mais atrapalham do que ajudam, sem falar que quando eles estão em casa, as crianças incomodam BEM menos! Foi por essas e outras que decidi por elas na escolinha no ano passado, para que pudesse ter alguns momentos de folga e também para ajudar a reintroduzir alguma rotina na vidinha delas, como horário para acordar e dormir, porque só esses hábitos já ajudam muito. Agora elas estão de férias, mas daqui há alguns dias recomeça a função.

É por isso que quando me perguntam de como dou conta, digo que não dou conta. Se me queixo, é porque gostaria de poder fazer mais, de poder fazer melhor. Gostaria de ter disposição pra brincar mais com minhas crianças, de correr com elas na rua, jogar bola, brincar de pique. Gostaria de ter uma casa razoavelmente limpa e arrumada, de fazer uma comida mais gostosa, de ser mais eficaz com os trabalhos domésticos. Mas além da minha inabilidade nata para a vida do lar, ainda tenho esse cansaço que me tira as forças. Faço o melhor possível e acreditem, faço bem mais do posso.




quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Corajosa, eu???

Tigre. Animal lindo. Para mim é um símbolo de coragem.
Ontem eu twittava com @Sao__Pedro, num papo comum entre pessoas que não se conhecem sobre o tempo e suas mazelas e me queixava do calor e da inconstância do tempo quando entre questionamentos mandei um link do blog para ele. Não sei o quanto leu nem sobre o que leu, mas depois me chamou de corajosa.

Tenho ouvido esse adjetivo muitas vezes. Nas raras oportunidades que saio à rua com minhas 3 crianças, invariávelmente ouço alguém me chamando de corajosa. Quando as pessoas conhecem minha história, sobre minha doença, sobre as crianças, enfim... sempre alguém me chama de corajosa.

Fico sem graça quando me dizem isso, pois não sei se esta palavra me descreve, às vezes me soa até como deboche. Sempre me achei muito covarde. Tenho medo de coisas tão ridículas que nem valem comentários... Também acho excesso de coragem algo meio idiota, tipo o cara que escala uma montanha gelada, sozinho e sem suprimento de oxigênio, ou o cara que enfileira trocentos carros para saltar de motocicleta por cima,. Pra muitos é coragem, pra mim e burrice.


Coragem ou burrice?
Só sei que me pus a pensar no assunto. Se eu soubesse como seria minha vida, talvez tivesse desistido de viver (oi?) ou teria me deprimido por antecipação. Tenho muito medo do que não sei, do que está por vir, do desconhecido. Mas quando a vida me impõe seus obstáculos eu os ultrapasso. Como me disse uma vez minha tia Marli (já prometi falar dela, ainda estou devendo) num ditado muitas vezes repetido por minha mãe: "quando a água bate na bunda, o sujeito aprende a nadar" acho que é isso que me acontece. Na iminência de morrer afogada, virei campeã de natação! 

Eu me deprecio demais, não me dou o devido valor. Acho que enfrentar os obstáculos é sim um sinal de coragem sim. Tá, eu me queixo da vida, reclamo, resmungo, mas quem não faz isso ao menos de vez em quando? Também acho que me queixo bem menos do que teria direito. Tenho dores nas costas e nos quadris que muitas vezes me impedem de andar, mesmo assim eu ando. Sofro demasiadamente com o calor, me sinto EXTREMAMENTE cansada, como se tivesse carregado o mundo nas costas, mas apesar disso faço minhas coisinhas, corro atrás das crianças o dia todo, faço comida com o umbigo encostado no fogão (pra morrer de calor mesmo) e faço o que é possível fazer com a pouca energia que tenho. 

Quanto a ter 3 bebês pequenos, quase ao mesmo tempo, não foi uma escolha, uma opção deliberada. Aconteceu. Eu poderia ter evitado? Claro que sim, mas se não evitei foi inconscientemente. Talvez porque as desejasse mais do que minha razão permitia, talvez porque ser racional nunca tenha sido mesmo meu forte. Mas elas estão aqui e eu sou a mãe delas. A despeito da minha pouca paciência e do meu cansaço, faço tudo o que posso e o que eu não posso por elas. Elas me cansam, me irritam às vezes, mas são elas que me fazem sair da cama todos os dias e não me entregar à depressão, ao cansaço, à desesperança.

Quando ouvia histórias de suicidio pensava que aquela pessoa tinha que ter muita coragem para abdicar da vida, principalmente de maneiras sempre tão traumáticas, mas refletindo sobre o assunto acho que sempre estive errada, abdicar da vida e deixar todos os problemas e preocupações nas mãos dos outros é muito fácil. Fugir é muito fácil. Já viver é bem difícil, ficar aqui com todas as alegrias que a vida nos traz mas também com todas as dificuldades que ela nos impõe (bônus e ônus) é só para os fortes, para os corajosos.

Então foi preciso uns 2 ou 3 twitts de @Sao__Pedro para que eu me desse conta do quanto sou corajosa, ao contrário do que sempre me imaginei. Ta lá, São Pedro agora é meu novo santo de devoção.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Vazio criativo - Notícias

O título desta postagem descreve exatamente como eu me sinto: vazia de criatividade. O calor me cansa muito e o cansaço faz meu cérebro literalmente parar. Tenho me sentido extremamente fadigada nestes dias, cada vez que inicio fazer algo, ponho toda minha energia à serviço pois não sei se consigo terminar a tarefa, então me concentro ao máximo até conseguir terminar e geralmente quando termino a tarefa, eu estou terminada também. Amo o verão, mas ele, definitivamente, me odeia. (Leia mais sobre esse assunto em Fadiga, Calor no coração, Eu e a Esclerose Múltipla, Saiba o que é a E.M.)

Tenho focado minha concentração para duas homenagens que quero (e vou!) fazer nos próximos dias, para duas pessoas muito especiais para mim. As homenagens estão praticamente prontas, mas ainda precisam de detalhes e é nos detalhes onde perco mais tempo e preciso de mais atenção. 

As crianças também estão em casa, de férias na escolinha, não estão me dado folga. Agora com a Letícia engatinhando então, o trio anda à mil. Lelê não para mais, só quer ficar no chão e anda pela casa toda, vira e mexe aparece lá pela cozinha ou espreitando o banheiro, louca para fazer alguma arte. 

Também estou às voltas com o desfralde (tardio) das gêmeas. A coisa não tá fácil, viu? Agora até elas já estão fazendo o xixi no peniquinho, mas ainda não pedem, tenho que cuidar e levá-las assim que começam a "dar sinais", e o cocô ainda não tem jeito não, elas tem muito receio ainda do tal do penico, como se tal objeto fosse capaz de lhes fazer algum mal...Mas tenho que insistir, estamos há um mês do reinício da escolinha e elas precisam estar sem fraldas até lá, nosso bolso agradece também (aff...).


Mas como não quero mais deixar o blog à deriva, totalmente abandonado, achei melhor essa postagem sem muito o que dizer, do que não dizer nada. Acabei até dizendo mais do que achei que conseguiria...

Abraços


P.S.: Mudei um pouco o layout do blog, já tava cansando. É óbvio que o banner que a Lau fez pra mim era mais bonito, mas eu sou assim, canso até de mim. Quando me cansar de novo, volto com o banner.


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Um novo tio - histórias de família

Foto do orkut. O amor não é lindo?
Entre tantas historias pra contar sobre nossa festa de ano novo-encontro familiar-férias, uma que devo escrever logo sob pena de matar alguém de ansiedade, é sobre meu "novo tio", o Souza.

Minha tão amada tia Marta, separou-se há alguns anos do meu tio Fernando, (amado, idolatrado, salve, salve) e casou-se novamente com o Souza. A princípio não tinha nada a falar sobre isso, não o conhecia e já não tinha contato direto com minha tia há uns 8 ou 9 anos, só nos falávamos via msn, sempre meio correndo, querendo saber notícias uma da outra, mas sem muitos detalhes.

Há algum tempo, adicionei o Souza no Orkut e então fui começar a saber um pouco mais sobre ele. Foi através do orkut e algumas poucas trocas de mensagens por lá que percebi nele senso de humor e simplicidade, características que já me fizeram gostar dele e ter interesse em conhecê-lo. Ele tem 2 filhos, um neto lindo e um monte cachorros e é meio maluco como meu marido pois trabalha com informática também (neste aspecto tem que se ter um pouco de dó e dar um desconto, quem trabalha com informática é mesmo tudo meio maluco), isso infelizmente não tem cura, mas a gente contorna.

Quando disseram que talvez viriam para as festas de fim de ano, tratei de por uma pilha, além da saudade mortificante que sentia do abraço da minha tia, conhecer o novo tio era um motivo a mais pra desejar que viessem.

Não tivemos realmente muita chance de sentar e conversar, mas pela convivência com eles naqueles poucos dias, pude ver o que realmente me interessava: minha tia estava bem, ele faz bem a ela e ainda por cima, de brinde, ainda é um cara legal, gente fina, divertido. Ponto pra ele.

Ainda tem a porção "crianceiro", adorou todas as crianças e brincou bastante com elas, principalmente minha sobrinha Maria Eduarda, que encantou à todos e que estava mais carente de atenção. Eles formaram uma parceria, uma dupla, achei até que ela ia querer mesmo ir embora com eles...E a julgar pelas fotos dele com o neto no orkut, deve ser um avô bem babão e bobão, do melhor tipo que existe.
Conclusão da história: gostei dele e adorei ter tido a oportunidade de conhecê-lo.

Na virada de ano, durante os abraços e votos de feliz ano novo, pedi a ele que cuidasse da minha tia e fizesse ela sempre feliz, ele me prometeu que assim o faria.

Alguns dias depois, conversando com a tia pelo msn, ela me disse que ele havia perguntado se eu o tinha aprovado. Tive que rir, porque não sou mais a menina birrenta e ciumenta das tias, e quem tem que aprová-lo ou não é tia Marta, mas esse post é uma resposta pra ele: Sim sr. Amadeu Souza, você foi devidamente aprovado!


sábado, 15 de janeiro de 2011

Os pecados de uma mãe

Cometi um grande pecado com minha caçula Letícia. Quando fiquei grávida dela, sem esperar, fiquei meio em pânico pois as gêmeas ainda eram tão bebêzinhas e me perguntava como seria dar conta de mais um bebê nestas condições.

Conversando com uma psicóloga infantil lá do HCPA, e ela me instruiu e dar mais atenção para as gêmeas no início, pois o bebê recém nascido dorme a maior parte do tempo, então quando eu não estivesse amamentando, período em que deveria me dedicar integralmente ao bebê, devia dar atenção "às grandes" como forma de evitar os ciúmes.

Essa dica foi valiosa, pois elas sentem muito pouco ciúmes da Letícia, sentem mais uma da outra do que dela. Mas ao mesmo tempo, fez com que eu me perdesse um pouco. 

A Letícia é um bebê maravilhoso. Calma, tranquila, sorridente. Tudo pra ela tá bom. Então, fui me passando da hora de dar mais atenção à ela. Quando ela teve aquela pneumonia em junho, ela deu uma regredida no seu desenvolvimento. Não queria mais ficar sentada, chorava e logo se encostava nos travesseiros ou onde pudesse.  Achei que sentisse dor e cansaço por causa do esforço para respirar e não quis forçar a barra, deixei por ela. Só que ela também é muito preguiçosa e não tomou a iniciativa. 

Quando começou a se aproximar o primeiro aniversário, comecei a perceber que algo estava errado. Sei que cada criança tem seu tempo, mas as gêmeas caminharam tarde, com 1 ano e 5 meses, mas no aniversário de 1 ano ficaram em pé nas cadeiras para as fotos, Letícia não ficava. Nem sequer tinha interesse em ficar. 
Conversei com as tias da escolinha, com amigas, com o pediatra. Todo mundo me dizia que era assim, cada criança tem seu tempo, etc... Mas eu sabia que aquele desinteresse dela não estava certo.

Comecei a forçar a barra dela, colocava ela em pé no meu colo, mas ela só ficava se estivesse muito distraída, senão chorava. Mas tinha medo de forçar muito e prejudicá-la. comecei então articular um modo de levá-la a Porto Alegre. Chegou um ponto em que a diretora da escola já estava preocupada e veio me falar, mas a essa altura eu já estava com consulta marcada para as gêmeas em Porto Alegre e planejava levar a Letícia junto. Acabei não levando porque não tive como, mas chegando lá conversei longamente sobre ela com a pediatra e com uma fisioterapeuta que estava lá nesse dia. A fisio então me falou de alguns exercícios que eu deveria fazer com ela e me tranquilizou quanto à questão física. Eu tinha certeza que ela não sentia dor, pois distraída ela ficava em pé, mas como ela chorava muito até quando falávamos em colocá-la em pé, pairava sempre uma dúvida sobre ela sentir alguma dor, ou desconforto. 

O que faltou pra minha Letícia, foi estímulo. Em outras palavras, faltou mais colo. As gêmeas me ocupam tanto, requerem tanto minha atenção e ela é sempre tão tranquila, tão de acordo com tudo, que deixei ela de lado e não lhe dei o colinho de que precisava. Talvez tenha sido por isso que ela resistiu tanto em largar o peito e mais uma vez me sinto culpada por ter sido obrigada a tirar o aleitamento, nosso momento de maior intimidade, quando dava mais atenção à ela, foi tirado bruscamente. 
Ela nunca exigiu minha atenção durante esse tempo, mas se recusava a sair do lugar. Até o início de dezembro quando iniciamos o "tratamento intensivo" com ela, ela ficava sentada o tempo todo. Quando a erguíamos do chão, ela trazia as pernas retinhas pra frente, mantendo a posição sentada mesmo no ar. Chorava quando a colocávamos de bruços ou de quatro e ficava imóvel, aos gritos até a tirarmos da posição. Se colocávamos brinquedos perto dela, ela se esticava ao máximo até alcançá-los, mas se não conseguisse, simplesmente desistia.

Bastou um mês e meio de exercícios e muito colinho extra, para ela aprender muita coisa. Na verdade ela já sabia fazer essas coisas, mas tinha medo, ou se recusava a fazer pra chamar atenção. Agora já fica em pé com as pernas bem firmes e quer dar passos, mas seus passos ainda são com a "bunda pesada" como eu digo, ela ainda não entendeu que precisa se segurar com as mãos em algo e apoiar o peso nas pernas e não no bumbum.

Mas já fica em pé na banheira para lavar "as partes", já não chora mais para isso, ao contrário, agora quer fazer. E hoje, pela primeira vez, engatinhou. Ela já tinha aprendido a se arrastar e já não ficava mais no lugar, ia de cá pra lá e de lá pra cá muito fácil, mas hoje engatinhou, aquela andada clássica do bebê de quatro, primeiro passo decisivo para definitivamente andar.

Ela tá com 1 ano, 3 meses e 18 dias e engatinhou pela primeira vez. É tarde, eu sei. Mas é o tempo dela, a  vitória dela. E a emoção é toda minha. 

Este post é um pedido de desculpas à  minha lindeza. E também um alerta. Mesmo o meu bebê sendo a alegria da casa, mesmo ela sendo doce, meiga, sorridente, amável e etc, não dei à ela a atenção de que precisava, simplesmente porque ela não exigiu nada de mim, enquanto as outras me exigem demais e o tempo todo. Vou dar jeito nos mimos às irmãs, elas estão mesmo muito passadas, e distribuir melhor minha dedicação. Faltam-me braços pra tanto colo, mas vou me dividir melhor. Sei que sempre irei pecar um pouco nesse sentido, mas prometo que será bem pouco.

Fiz um vídeo dela dando seus primeiros engatinhos.  Ela andou bem mais do que isso, mas toda vez que tentava filmá-la, ela sentava no chão e fazia pose pra câmera (exbida!) então é só uma amostra, mas que me fez chorar de emoção.

Bom domingo à todos. Na semana que vem já estarei de volta em casa e aí vou recomeçar pra valer a por minha leitura e comentários em dia. Também vou voltar a postar com mais regularidade deixando meu bloguinho menos tempo às moscas como ele tá agora...


video




quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Se Fiquei Esperando Meu Amor Passar

Há dias estou com essa música na cabeça, não sei bem porque. Aliás, sei sim, estou aqui esperando meu amor passar (e chegar) e morrendo de saudades...

 

 

Se Fiquei Esperando Meu Amor Passar

Legião Urbana

Composição: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá
 
Já me basta que então, eu não sabia
Amar e me via perdido e vivendo em erro
Sem querer me machucar de novo
Por culpa do amor
Mas você e eu podemos namorar.
E era simples: ficamos fortes.
Quando se aprende a amar
O mundo passa a ser seu
Quando se aprende a amar
O mundo passa a ser seu
Sei rimar romã com travesseiro
Quero a minha nação soberana
Com espaço, nobreza e descanso.
Se fiquei esperando meu amor passar
Já me basta que estava então longe de sereno
E fiquei tanto tempo duvidando de mim
Por fazer amor fazer sentido.
Começo a ficar livre
Espero. Acho que sim.
De olhos fechados não me vejo e,
Você sorriu pra mim
"Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo,
Tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo,
Tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo,
Dai-nos a paz."


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Suposições, conjecturas, constatações

Este final de ano me trouxe à lembrança muitas histórias, tantas que estou tendo dificuldades em escrever sobre elas. Também estou à espera de mais fotos para bem ilustra-las. Portanto, como diria o trapalhão Didi "aguardem e confiem".

Mas rever minhas tias, mais do que isso, revê-las juntas com meu pai e minha dinda numa autêntica reunião familiar me fez viajar no tempo e ter de novo 5 anos de idade.

Nossa, fui longe! Revivi silenciosamente inúmeras situações enquanto ouvia as conversas entre eles, revivendo as lembranças deles. 

Mas como voltei aos 5 anos de idade, após o nosso encontro tive que fazer a viagem de volta. E nesse retorno, com mais calma do que na ida, com tempo para "apreciar a paisagem", passei pelos meus 10 anos, 12, 15... Tive vários reencontros comigo mesma nessa jornada. Alguns surpreendentes. Descobri coisas ao meu respeito que estavam esquecidas, adormecidas, guardadas lá no fundo do baú da memória. 

Entre suposições e conjecturas, fiz constatações que certamente irão nortear meu modo de agir e pensar daqui pra frente.

Ei-las:

Perdi muito tempo, desperdicei energia e deixei de aproveitar muito a vida por medo ou vergonha. Medo de quebrar a cara e sofrer, vergonha do que pensariam à meu respeito, de parecer boba ou ridícula. Não expressei meus sentimentos e desejos. Deixei de falar tanto sobre meus sentimentos de amor, quanto dos de raiva, tanto do que me encanta, quanto do que me causa dor. E essa atitude não me poupou sofrimento, nem impediu que passasse por boba ou ridícula diversas vezes, só me impediu de viver momentos bacanas, de curtir e até mesmo de quebrar a cara, porque não? Afinal são os tropeços que nos ensinam a caminhar.

Imagem do blog Palavra Mansa
A velha e batida frase "a vida começa aos 40" tem lá sua razão de ser. Se tivéssemos essa maturidade, a serenidade e o conhecimento da vida aos 15 ou 20, teríamos feito muita coisa diferente. Não que haja arrependimentos, mas lacunas que poderiam ter sido preenchidas. Agora estou mais lenta e limitada, mas ainda me resta o ímpeto e decidi que ainda posso ousar, me arriscar numa jornada de auto-conhecimento e crescimento pessoal. Voltar a estudar por exemplo será um desafio para o meu cérebro lento, vacilante e esclerosado (no verdadeiro sentido da palavra) mas é uma das minhas metas para esse ano. 

Mas a mais importante e mais dura, é a constatação de que o tempo só anda para a frente. Se perdi muito tempo com minhas frescuras tá na hora de deixar de ser fresca. O que eu preciso agora e resgatar minha auto-estima, voltar a me sentir segura de mim e buscar definitivamente uma adaptação, um novo estilo de vida que seja compatível com minhas limitações sem me criar outras. 

O que passou, já é passado. O que eu perdi, já está perdido. O tempo não volta atrás mas nós podemos sempre andar em frente desde que não fiquemos parados lamentando o que já não pode ser modificado.



sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

E 2011 chegou!

Meu primeiro post de 2011 é quase uma transgressão, afinal ainda estou de "férias", mas não resisti à tentação e resolvi vir aqui contar um pouco sobre as festas de fim de ano.


O Natal foi como de costume, na casa dos sogros, só nós e eles. Simples, mas agradável. Antes da ceia fomos à missa mas saímos logo após a comunhão.

Crianças demais fazem a gente ter atenção de menos. Estava muito quente na igreja e elas ficaram mais indóceis que de costume. Papai Noel deixou alguns pacotinhos embaixo da árvore, suficientes para fazer a alegria da criançada.

No dia de Natal ainda tivemos a companhia do mano, Allyson veio passar uns dias em Cachoeira e nos presenteou com a sua companhia.

Vovó dando a "bóia"
Aline e vovô
Letícia e Camila
Logo após o Natal chegaram à Cachoeira meu cunhado que mora em Passo Fundo e a família, vieram para o Ano Novo. Fiquei feliz por ter dado tempo de nos vermos e conversarmos um pouco. Gosto muito deles.

Ainda antes de viajarmos, houve a formatura da Yasmin. Coisa simples também, mas quase morri chorando. Boa parte daquela galerinha conheci com 4 anos de idade, mal sabendo falar.Vi seus sorrisos infantis, ficarem esburacados e depois se refazerem, suas bochechas gorduchas e rosadas darem lugar às espinhas e vi a transformação das brincadeiras de roda em rodinhas de conversa e/ou paquera. As crianças cresceram e se tornaram jovens lindos e cheios de planos e sonhos. Foi o fim de um ciclo que logo dará lugar a outro. Me emocionei muito apesar de toda a simplicidade do evento.
Galerinha da turma 82
Nossa viagem, de ônibus, carregados de malas e crianças, com parada em Porto Alegre e 4 horas de espera pelo outro ônibus que nos levaria ao destino final, merece um capítulo à parte assim como nossa festa de ano novo. 

Depois com mais calma vou contar essas histórias pra vocês, mas como eu já tinha adiantado, houve um emocionante reencontro familiar. Nossa! Tava bom demais! 


Mulherada reunida. Da esq p/dir:
Yasmin com Aline no colo, eu com
 a Letícia, minha tia/dinda Gina, mãe,
tia Marta,  minha prima Dani.
Na frente minha sobrinha
 Maria Eduarda e a Camila
Tia Sônia.
Me senti de novo com
 5 anos dentro desse abraço...



Como todo encontro de família onde junta muita gente e gerações distintas, houve de tudo um pouco: emoção e diversão, lágrimas e risos, muita fotografia, muito choro de criança, uma festa bacana e claro que não podia faltar, algum stress. 
Primeiro banho de mar
 "oficial" das meninas

Não é todo mundo que curte crianças, principalmente quando choram ou teimam. Mas caras feias à parte (porque isso também faz parte e família sem isso não é família) a única ameaça ao bom andamento da festa foi só a falta de energia elétrica que ameaçou nos fazer passar a meia noite às escuras e fez alguns tomarem banho de caneca. Contratempos superados, tava todo muito bonito e perfeito, e o simples fato de estarmos juntos foi ótimo.
A casa às escuras na hora do blecaute
As crianças grandes brincando
 com as pulseirinhas coloridas...
Na casa da vovó, piscina em dia de chuva é assim, sem água


Bem, agora que já matei as saudades de vocês, vou voltar pro meu "descanso", se é que é possível descansar com 3 crianças pequenas e mais a minha sobrinha junto. Mas é a chance que eu tenho de sair um pouco da rotina, de ganhar um pouco de colo de mãe (porque eu também preciso de colo) e de recarregar as baterias.
Logo volto com mais novidades.

PS.: Peço às minhas amigas blogueiras que tenham paciência comigo, levarei uns 3 meses para colocar em dia a leitura de tudo o que perdi nestes dias de ausência. Farei isso aos poucos, um blog de cada vez.
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