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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Somos feitos de silêncio e som

Adoro usar títulos e trechos de músicas para inspirar minhas postagens. Essa frase é da música "Certas Coisas" do Lulu Santos.

Não gosto do silêncio absoluto, mas também não gosto de barulho excessivo.

Minha casa nunca está em silêncio, até porque com 3 crianças isso fica impossível, mas mesmo quando estou sozinha em casa,a TV está sempre ligada, mesmo que falando sozinha, pra me fazer companhia.  Mas quando o barulho é muito, fico bastante irritada.
Já havia notado isso quando ainda estava trabalhando. Depois daquele surto grande de EM que tive, notei que o barulho em excesso me desconcentrava muito e além disso, me causava uma irritação sem tamanho.
No escritório onde eu trabalhava, não era raro termos 3 ou 4 impressoras, daquelas matriciais bem barulhentas, ligadas ao mesmo tempo, além do telefone que não parava de tocar, o rádio sempre ligado e mais a conversa dos colegas tudo ao mesmo tempo. Isso tudo que antes era absolutamente normal pra mim, começou a me incomodar. Tentei usar um radinho com fone de ouvido, para me isolar do resto do barulho, mas isso foi mal interpretado pelos colegas, que não me compreendiam e ficavam implicando comigo. 
Esse era um dos motivos pelos quais eu não conseguia mais render no meu trabalho, já tinha ficado com dificuldade de concentração e o barulho não me ajudava em nada.
Em casa, acontece o mesmo. Tem dias que as três crianças tiram para miar o tempo todo, tem dias que tiram pra chorar, tem dias que tiram pra gritar e tem dias em que uma resolve miar, a outra chorar e a terceira gritar, tudo junto.
Aí soma-se a TV, que se alguém estiver assistindo o volume estará invariavelmente alto para que ela possa ser ouvida, o telefone que toca, o vizinho com suas músicas de gosto muito duvidoso à todo o volume, o cachorro latindo, marido e filha adolescente tentando falar comigo... E eu fico louca!
Chega um momento em que todos os sons ficam incompreensíveis e só ouço o barulho irritante. Vai me dando uma quentura, meu sangue ferve e a quizumba tá formada! Nesses momentos, tenho vontade de abrir a porta e sair correndo. Mas em vez disso, eu grito. #aloka
Ao longo do tempo tenho notado que a reação que tenho ao barulho é algo físico,talvez proveniente da própria EM, já que não tinha problemas antes. Não posso controlar. Não fico irritada só porque é barulho, fico irritada porque passo a não compreender mais o que estou escutando, minha cabeça dói, meus ouvidos doem.
Pareço uma velha reclamona, abaixando o som da TV ou da música a níveis quase inaudíveis, só para poder me equilibrar de novo. Quando estou sozinha, consigo ouvir a TV ou o som com o volume no mínimo e consigo compreender melhor do que quando o volume está excessivamente alto. À noite, depois que as crianças dormem, fica inadmissível volumes mais altos e fico P... quando além da TV tem música ligada. Fica aquela confusão nos meus ouvidos e marido briga comigo me chamando de chata, não compreende meu mal estar.
Como eu disse lá no comecinho, o barulho em si não me incomoda, o que me desnorteia é muita coisa junta, tudo ao mesmo tempo. E como o título desta postagem já diz: somos feitos de silêncio e som. Como eu sei que não terei silêncio pelos próximos anos, (e nem quero) acho justo que pelo menos não fique perturbada com os sons que me rodeiam.
E vocês que também tem crianças em casa, como administram o silêncio e o barulho da casa? E essa irritação, alguém mais sofre com ela?

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Esse assunto é minha contribuição para o dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, que é hoje.

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Dia Nacional da Conscientização sobre a Esclerose Múltipla

Amanhã, 30 de agosto, é o dia Nacional da Concientização sobre a Esclerose Múltipla e mais uma vez coloco aqui um material informativo à respeito dessa doença, para que todos a conheçam e a compreendam.

Este vídeo está em português de Portugal, embora o sotaque seja carregado, dá bem para entender a explicação sobre a EM.

Assistam, é importante entender.


Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Sem assunto, sem inspiração, sem vontade.


Estou passando novamente por um daqueles momentos em que fico horas à frente de uma página em branco até desistir de escrever.


Ando desmotivada, sem vontade até mesmo de interagir com as amigas nas redes sociais. Há muito tempo que desisti do Orkut; há várias semanas só entro no twitter para responder às minhas menções; no facebook ainda encontro certa motivação, mas com pouco tempo pra usar o PC, tendo só o celular para me conectar, perco a vontade.

O blog anda semi-abandonado. Faz tempo que não produzo um texto decente, digno dos meus inúmeros (oi?) leitores.  Se não fossem as fotos das meninas e as historinhas delas, isso aqui estaria às moscas.

A fadiga anda pegando pesado comigo. O tempo, com esse chove-esfria-chove também não ajuda. A obra do banheiro não sai do lugar, por causa da umidade o que era pra levar uma semana, já está indo pra quarta.

Situações tristes com amigos, envolvendo doenças graves e situações sobre as quais não temos nenhum controle o não podemos fazer nada para ajudar, além de rezar, também estão me deixando um bocado deprê.

Nem tudo é cinza e há também coisas bacanas acontecendo, mas o brilho delas está ofuscado por estas situações tristes.

Aí, eu me lembro de um post da Daniele, do blog Balzaca Materna, em que ela fala da decepção de uma pessoa ao conhecer pessoalmente uma amiga virtual, admirada anteriormente por suas supostas qualidades e questiona de quem é a culpa, se daquela que não contou toda a verdade sobre si mesma, ou da outra que fantasiou a cerca do que imaginou ser a verdade (leia o post clicando aqui).

E assim como deixei escrito lá nos comentários, pergunto aqui:

Quem é que compartilha suas fraquezas? Quem compartilha a mesquinhez cotidiana? Quem compartilha suas desgraças, suas misérias, seus desamores, seus pecados?

O fato de uma pessoa omitir informações, não significa mentira e má fé, pode ser simplesmente uma defesa. Eu mesmo, com textos como esse de hoje, corro o risco de transformar esse blog num muro de lamentações e não é isso que eu quero muito menos meus leitores.

Então, enquanto durar essa má fase, vou me abster de postar. Vou dar uma sumida. Não de todo, pois ainda haverá as crianças e sua inesgotável fonte de boas histórias pra compartilhar, rir e se emocionar.

Por favor, não me abandonem!





Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Onde ele foi?

Esta é uma daquelas historinhas que nos fazem rir e nos enchem de ternura, pra começar bem a semana.

Dia desses, estávamos na casa da minha sogra e as gêmeas estavam agitadas, chorando, dando piti, com sono, mas sem querer dormir. Dentre todas as alternativas pensadas para resolver a questão naquele momento, me ocorreu um breve passeio.

A intenção inicial era levá-las até uma pracinha, que tem logo após a igrejinha que fica a poucos metros da casa. Mas o sol estava inclemente apesar do frio. Era pouco mais de uma da tarde, elas tinham acabado de almoçar, conclui que não seria uma boa idéia e resolvi voltar.

Mas como já estávamos na rua para o prometido passeio e o choro havia cessado, convidei-as então para entrar na igreja e dar um "oi" para o papai do céu.

Freqüentamos uma a igreja matriz de Santo Antônio, que por ser matriz da nossa paróquia é maior e mais adornada que a pequena capela de Santa Terezinha, onde elas só haviam entrado quando eram bem pequenas.

Fomos entrando devagar e elas, com a curiosidade que lhes é nata, foram observando tudo. Solenes e atentas chegaram ao pé do altar e se depararam com uma enorme cruz, mas não havia uma imagem do Cristo pregado nela. Prontamente elas me disseram: 

- "Ih, mamãe, papai do céu saiu!"

Fim


Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Aposentadoria x Trabalho




Este é um assunto um tanto quanto espinhoso pra mim. Estou na batalha pra conseguir minha aposentadoria e embora eu queira tanto, me sinto muito dividida quanto a isso.

A situação é a seguinte: Tenho 40 anos. Ainda teria muitos anos de vida "ativa" e me aposentar agora é até triste. O INSS leva muito isso em conta e é claro que não quer me pagar pra eu ficar em casa de pernas pra cima (oi?).

Ao mesmo tempo, por causa da minha doença, as sequelas e sintomas, eu não sou capaz de arrumar um emprego decente, que me pague um salário digno e me dê os benefícios de uma carteira assinada. Só consegui alguns "subempregos", sem carteira, sem garantias. E mesmo esses, não consegui manter por muito tempo, pois tenho crises de fadiga inesperadas e a cada crise, meu cérebro simplesmente pifa, ou seja, esclerose múltipla nada tem a ver com demência, mas a fadiga me deixa fora do ar.

Sei que ainda seria capaz de render alguma coisa, mas para isso, necessitaria de algumas condições especiais, como o direito de dar uma parada no momento em que me sentir fadigada e descansar um pouco. Normalmente alguns minutos deitada, são capazes de me recompor. Mas quem tá afim disso?

Aqui, o comum é as empresas já não respeitarem os direitos básicos, já adquiridos e respaldados pela lei, (como férias, pagamento de horas extras, licenças médicas ou maternidade sem pressão psicológica) imagina me dar direitos extras e que poderiam gerar conflitos com outros funcionários?

Sei que não sendo dessa forma, eu terei problemas. Volta e meia por conta das minhas consultas e exames, sempre em Porto Alegre, precisaria me afastar do trabalho por um dia inteiro. Tendo uma crise de fadiga e não podendo descansar, corro o risco de fazer coisas erradas ou simplesmente não conseguir concluir minhas tarefas. Quem tá afim?

Esse é o meu dilema. A aposentadoria me daria uma tranquilidade para poder cuidar mais da minha saúde. Voltar ao trabalho poderia ser bom para mim, mas certamente seria só por um tempo, pois à medida que surgirem os problemas e dificuldades eu iria me estressar demais com isso, como já me estresso agora por conta dessa situação sem definição.

A dificuldade em conseguir a aposentadoria está em minhas sequelas serem menos físicas e mais cognitivas e essa parte é mais difícil de quantificar, as respostas são mais subjetivas e seria necessária uma sensibilidade por parte dos médicos peritos que eles simplesmente não têm.

Mas também conheço pessoas, com bem menos dificuldades que eu e menos idade, que já estão aposentadas por conta de serem portadores de esclerose múltipla. Porque eu não?

Então tô ai na luta. Aguardando os resultados. Gostaria muito que essa novela tivesse um fim e que eu pudesse finalmente respirar.

Torçam por mim.

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Ainda sobre o dia dos pais.

Tirei um monte de foto com minha máquina nova, mas ter uma máquina não significa saber fotografar. Não tem muita coisa aproveitável.

A festinha da escola foi na sexta, eu estava em Porto Alegre e não pude assistir, mas o papai e a mana Yasmin foram e filmaram e fotografaram o suficiente para mim saber o que aconteceu. :-(

Nosso almoço de família foi no sábado, porque meu cunhado de Passo Fundo veio e foi embora cedo no domingo. Nosso domingo foi em casa, com chuva, um dia preguiçoso de papai com as crianças.

Não estou conseguindo postar porque estou com a Camila dodói, garganta, mas com febrão e cheia de mimimi. Por isso perdoem a correria e a falta de notícias...

As fotos:

O trio depois da entrega dos presentes.

Na escola "Vestidas" com o presente: uma camiseta com o nome do papai nas costas e as mãos delas e na frente um pé dentro de um coração e o nome delas.

O presente da Letícia. A orelha do cachorro é um par de meias.


Ouvindo música no computador...


Olha só as caras...

Malcriada pondo a língua pra mamãe

Aline não tava afim de tirar essa foto. Deu pra notar?

Brabeza...

Se acalmando no colinho

Mostrando as unhas pintadas de azul...


As fotos ficaram assim meio bagunçadas pela falta de tempo mesmo.

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

sábado, 13 de agosto de 2011

Pai, paizão!

Este texto não é meu e desconheço seu autor. Foi retirado do site Bilibio. Mas suas palavras se encaixam tão bem, tanto para homenagear o meu pai, quanto para o pai das minhas filhas.

Recados para Orkut

Pai, paizão!


Este homem que eu admiro tanto,
com todas as suas virtudes e também com seus limites.
Este homem com olhar de menino, sempre pronto e atento,
mostrando-me o caminho da vida, que está pela frente.


Este mestre contador de histórias
traz em seu coração tantas memórias,
espalha no meu caminhar muitas esperanças,
certezas e confiança.


Este homem alegre e brincalhão,
mas também, às vezes, silencioso e pensativo,
homem de fé e grande luta,
sensível e generoso.


O abraço aconchegante a me acolher, este homem,
meu pai, com quem aprendo a viver.
Pai, paizinho, paizão...
meu velho, meu grande amigão, conselheiro e leal amigo:
infinito é teu coração.


Obrigado, pai, por orientar o meu caminho,
feito de lutas e incertezas
mas também de muitas esperanças e sonhos!


Que seu dia seja muito feliz!
 Ao meu pai e ao meu amor, toda a felicidade do mundo neste seu dia. Á eles e à todos os pais da blogosfera, um 

Feliz dia dos pais!!!!
Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Presentes

Esta semana chegou um pacote pra mim pelo correio:


Fiquei tão eufórica ao recebê-lo, que rasguei a caixa toda! Estava ansiosa à espera, eram os meu presentinhos vindos da Tailândia, ganhos no sorteio do blog da Renata Uma esposa expatriada. Olha só que chique! A bolsinha é lindinha, amarelo dourado, não aparece bem na foto, mas é linda, posso garantir e o espelinho então, baphôniko! Também veio um cartãozinho muito carinhoso, personalizado do blog.


Junto com os presentes do sorteio, veio outro presente, que a Renata havia me prometido trazer quando viesse ao Brasil. E não é que ela trouxe mesmo? Uma câmera "côderosa", linda! Agora o blog não fica mais sem fotos!


Fiquei muito feliz com meus presentinhos! Obrigada Renata!

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O valor de calar


Se existe algo que venho tentando aprender ao longo da vida, é o valor de calar a boca. Já fiz muitos progressos, mas ainda tenho um longo caminho a percorrer.

Não falo de aceitar placidamente tudo o que me é dito ou feito, mas de não dar respostas atravessadas no calor do momento, aguardar até que os pensamentos se organizem que a razão volte à tona e que os argumentos tenham consistência.

Calar para não ferir, calar para não dizer bobagens, calar para não iniciar ou prolongar uma discussão. Calar para manter razão.

Sempre fui muito afoita, destemperada e destrambelhada. Não raro meto os pés pelas mãos, me alimento de uma raiva momentânea e despejo veneno. Quando me sinto ferida, magoada, reajo tentando ferir também. Só que sempre quem se machuca mais sou eu mesma, primeiro por ter sido magoada, segundo por perder a razão magoando também.

Impropérios, ofensas  e gritos são provenientes justamente da falta de argumentos. E argumento consistente só tem quem para pra pensar. Mesmo tendo razão, se desembestamos a falar sem pensar, perdemos essa razão falando um monte de bobagens.

Tenho aprendido a segurar mais a língua dentro da boca, a contar até 10 (mil) e  ficar quieta. Normalmente depois de certo tempo ruminando os acontecimentos, consigo reunir subsídios para explicar minha mágoa e ou até para esquecê-la.


É claro que esse não é um trabalho fácil para uma pessoa absurdamente passional como eu. Sou movida pelos meus sentimentos, não pela minha razão. Mas venho aprendendo a lidar melhor com isso e tentando conter minha raiva.

Na verdade, venho tentando trabalhar é essa raiva, que existe em mim e por vezes se apodera, toma conta e me consome totalmente à razão. E como diz um velho ditado: a raiva é um veneno que a gente toma esperando que outro morra.

Na minha busca por me tornar um ser humano melhor, é esse o ponto X, aquele que mais devo trabalhar e me esforçar para conter. Ele faz parte da minha essência. Por que eu não sei, mas faz. Cabe a mim mantê-lo sob controle. É preciso que eu controle meus instintos, não que eles me controlem.

Aprender a calar é antes de tudo viver em paz. É possível argumentar, dialogar e chegar a um consenso com as outras pessoas quando respiramos fundo e pensamos um pouco antes de falar. 

E vocês, como lidam com a raiva? Sabem o valor de calar?
 

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

domingo, 7 de agosto de 2011

Mãe faz cada coisa...

Recebi este texto por email da minha querida amiga Larissa e achei que diz tudo e mais um pouco sobre nós, essas loucas chamadas de mães. Ia reenviar para as amigas, mas achei tão genial que resolvi compartilhar aqui no blog.

"Mãe é aquele ser estranho, louco, capaz de heroísmos, dramas e breguices com a mesma fúria; paga mico, escreve carta para Papai Noel, se faz passar por fadinha do dente, coelho da Páscoa, cuca, pede autógrafo para artistas deploráveis assiste a programas, peças, shows horríveis, revê milhares de vezes os mesmos desenhos animados, conta as mesmas histórias centenas de vezes, vai pra Disney e A D O R A!

Mãe faz escândalo, tira satisfação com professor, berra em público, dá vexame, deixa a gente sem graça, compra briga; é espaçosa, barulhenta, tendenciosa, leoa, tiete, dona da gente. Mãe desperta extremos,ganas, irrita, enlouquece, mas... É mãe.

Mãe faz promessa, prestação, hora extra, pra que a gente tenha o que é preciso e o que sonha. Mãe surta, passa dos limites, às vezes até bate, diz coisas duras; mãe pede desculpas, mortificada... Mãe é um bicho doido, louco pela cria. Mãe é Visceral!

Mãe chora em apresentação de balé, em competição de natação, quando a filha menstrua pela primeira vez, quando dá o primeiro beijo, quando vê a filha apaixonada no casamento, no parto... Xinga todo e cada desgraçado que faz a filha sofrer, enlouquece esperando ela chegar da balada, arranca os cabelos diante da morte...

Mãe é uma espécie esquisita que se alterna entre fada e bruxa com um naturalidade espantosa. É competente no item culpa e insuperável no item ternura, mas pode ser virulenta, tem um lado B às vezes C, D, E... Mãe é melosa, excessiva, obsessiva, repulsiva, comovente, histérica, mas não se é feliz sem uma. Mãe é contrato: irrevogável, vitalício instransferível!

Mãe lê pensamento, tem premonição, sonhos estranhos. Conhece cara de choro, de gripe, de medo; entra sem bater, liga de madrugada, pede favor chato, palpita e implica com amigos, namorados, escolhas. Mãe dá a roupa do corpo, tempo, dinheiro, conselho, cuidado, proteção. Mãe dá um jeito, dá nó,dá bronca, dá força. Mãe cura cólica, porre, tristeza, pânico noturno, medos. Espanta monstros, pesadelos, bactérias, mosquitos, perigos. Mãe tem intuição e é messiânica: Mãe salva. Mãe guarda tesouros, conta histórias e tece lembranças. Mãe é arquivo!

Mãe exagera, exaure, extrapola. Mãe transborda, inunda, transcende. Ama, desmama desarma, denota, manda, desmanda, desanda, demanda. Rumina o passado, remói dores, dá o troco, adora uma cobrança e um perdão lacrimoso.

Mãe abriga, afaga, alisa, lambe, conhece as batidas do nosso coração, o toque dos nossos dedos, as cores do nosso olhar e ouve música quando a gente ri. Mãe tem coração de mãe!

Mãe é pedra no caminho, é rumo; é pedra no sapato, é rocha; é drama mexicano, tragédia grega e comédia italiana; é o maior dos clássicos; é colo, cadeira de balanço e divã de terapeuta... Mãe é madona-mia! É Deus-me-acuda; é graças-a-Deus; é mãezinha-do-céu, é mãe é minha- e- eu- mato -quando- quiser; é a que padece no paraíso enquanto nos inferniza... Mãe é absurda e inexoravelmente para sempre e é uma só: não há Mistério maior! Só cabe uma mãe na vida de uma filha... e olhe lá! Às vezes, nem cabe inteira.

Mãe é imensurável! Mãe é saudade instalada desde o instante em que descobrimos a morte. Mãe é eterna, não morre jamais. Bicho estranho, entranha, milagre, façanha matriz, alma, carne viva, laço de sangue, flor da pele.

Mãe é mãe, e faz cada coisa..."

(Texto de Hilda Lucas)

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A ninhada completa, com carinhas de sono, acordando a mamãe. Tem como não ser feliz?



Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Em Obras

Para quem acompanha o blog, este assunto pode parecer uma bobagem e certamente não despertará muito o interesse do leitor, mas para mim é uma vitória tão grande e a realização de um sonho que venho acalentando nos últimos três anos e meio: ter minha casa de volta.

Mudamo-nos para esta casa há 12 anos. Na metade deste tempo, fizemos uma reforma geral, pois a casa era um chalé de madeira comido pelos cupins, então desmanchamos tudo (ou quase) e fizemos a casa de material. 

Mas essa grande obra aconteceu justamente na mesma época em que descobri minha EM. No mesmo dia em que os pedreiros derrubaram a primeira parede, eu entrava no meu primeiro surto grave. Como enquanto fazíamos a obra, estávamos acampados na casa da sogra, o período todo foi digamos, obscuro.

Na época, sobrou em pé a cozinha, que já tinha sido erguida depois que nos mudamos pra cá, e o banheiro. E devido às circunstâncias (e toda uma sequência delas que nem cabe enumerar aqui), por contenção de despesas e também por pressa de voltar pra casa, o banheiro acabou ficando pra trás.

Ele já tinha alguns problemas, umas lajotas quebradas, uma ou outra infiltração, mas ainda estava inteiro, então deixamos pra depois, mas o depois nunca chegou e o banheiro foi "entrando em colapso". Além da total falta de grana, tinha ainda o dilema: sendo aquele o único banheiro da casa, como reformá-lo sem ter que nos mudar novamente?

Só que a situação foi ficando insustentável. As tapeações deixaram de surtir efeito e as infiltrações começaram a afundar o nosso banheiro, literalmente. Juntamos uma graninha e partimos para o planejamento.

Foi aí que, olhando para um canto meio sem função que acabou virando "porta-entulho", tivemos a ideia que irá solucionar todos os problemas da nossa casa: faremos outro banheiro. Enquanto o novo não fica pronto, seguimos usando o velho que depois será transformado numa peça para o marido trabalhar e assim terei minha sala de volta! Como não pensamos nisso antes?!

Pois hoje, neste momento, nosso amigo João está aqui dando uma de pedreiro e iniciando os trabalhos. Minha casa vai virar um caos, já que a peça em questão que irá se tornar meu novo banheiro, é um apêndice da cozinha. Já há uma nuvem de poeira fina por toda a casa e já me deu uma coceirinha pra reclamar de tudo, mas respiro fundo porque sei que daqui a alguns dias, poucos eu espero, teremos três problemas resolvidos praticamente de uma vez só.

Desde que as gêmeas nasceram, o marido passou a trabalhar em casa. Por um lado isso é ótimo, mas por outro, minha casa virou um caos. Eu já não tenho energia nem saúde para arrumar e limpar e cuidar como antes, de um dia para o outro a casa se encheu de crianças  justamente nesse período em que eu mais precisava de espaço, conforto e de amigos por perto, fiquei sem tudo isso. 

Sem sala e com o resto da casa apertado e sempre um caos não tem como receber visitas. Também ficamos sem um local de convivência familiar. Aquele local em que todos param, pra assistir uma tv, pra tomar um chimarrão, pra brincar com as crianças, pra receber um amigo, neste momento não existe e faz muita falta.

Por isso, não estranhem se eu me ausentar um pouco, se demorar a postar ou a responder comentários e se sumir definitivamente das redes sociais. Estamos em obras!

Aff, desejem-me sorte...

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Fotonotícias

Ensaiando pra voltar à escola

Abraço forçado


Vovô, tia Vera e vovó aprendendo a voar, segundo instruções da Aline

Pocotó de almofada

Os primos Léo, Ricardo e Larissa no níver do papai

O dono da "festa" com pose de inteligente

Minhas esquimós prontas para a escola

Essa alegria toda às 7 e meia da manhã...

Eu vou, eu vou, pra escola agora eu vou...

 Primo Tiago levando meu trio esquimó pra escola. Tchau mamãe.

Estes são os acontecimentos dos últimos dias. Na segunda eu precisei sair pra resolver uns problemas aqui de casa e extrapolei meus limites, caminhei mais do que podia e ainda tomei uns banhos de chuva com todo aquele frio. Na terça fiquei de molho, garganta em frangalhos e dor em todos os músculos do corpo, fora minha perna dodói que tá doendo mais que nunca. Mas pelo menos resolvi o que precisava.

Na torcida por São Pedro desligar a chuva e à espera do meu presente vindo da Tailândia. Ah, não contei né? Fui uma das sorteadas no sorteio da Renata do blog Uma esposa expatrida que eu divulguei aqui. Tô ansiosa à espera do meu presentinho, assim que chegar coloco fotos aqui!
Beijos


Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

CONVERSAS - O conceito e o preconceito

Hoje nas nossas conversas, a presença ilustre de Mari Hart Dore, a mãe polvo da adolescente Stella, e dos gêmeos Pedro e Léo, de 4 anos. Ela escreve o belo e divertido blog "Diário de uma mãe polvo" além de ser uma fotógrafa de primeira, como você pode conferir no portfólio dela aqui e no blog "Mari Hart, photo & soul".

A-D-O-R-O os textos da Mari,  mesmo quando o assunto é tenso, ela trata com leveza e bom humor e dá um toque todo especial que deixa tudo mais simples, mas mesmo assim, cutuca fundo nos pontos que pretende acertar.

Espero que gostem do texto dela tanto quanto eu. Vamos à ele:
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O conceito e o preconceito
Responda rápido, sem refletir; Vc é preconceituoso?! Tenho certeza que uma massante maioria das pessoas respondeu automaticamente "não". E agora, vamos refletir e repensar nos detalhes do dia a dia, nas nossas pequenas atitudes e dizeres que se tornam normais no cotidiano e responda. Tem certeza?!

Infelizmente, o preconceito está mais dentro de nós do que imaginamos. Vem de gerações, é cultural, a sociedade nos leva a ser preconceituoso. A forma como agimos e pensamos tem influência direta na formação desta mesma sociedade, começando dentro de casa, até mesmo da própria família que escondem seus entes com alguma deficiência. A discriminação vem das estruturas físicas do prédio onde moramos, dos cinemas, transporte público, supermercados, escolas onde nenhum deles está preparado para tratar a deficiência como uma diferença apenas entre o ser humano. É um preconceito pré-estabelecido, que induz o outro a ser preconceituoso.

Leo e Pedro são gêmeos de 4 anos de idade. Leo tem paralisia cerebral do tipo tetraplegia espástica. Certo dia ao encontrar uma grande amiga, ela comentou como achava incrível o tratamento que Pedro dá ao irmão. Isto é, NORMAL! Para Pedro a questão do irmão não saber andar, falar e nem sentar sozinho, nunca fez diferença. Ele briga, aperta e beija, implica como qualquer irmão comum. Por crescer junto com a deficiência intensamente em sua vida, ela se tornou indiferente, apenas um detalhe em nossas vidas. E é assim que deveria ser com todas as crianças do mundo- futuro adultos preconceituosos, conviver com a deficiência de perto, seja na sala de aula, no parquinho ou no clube. A troca é mútua, quem ganha não é apenas a criança incluída, todos ganham.

A verdadeira inclusão, tem que ser vista como uma arma no combate ao preconceito e não como comiseração. Seja ele de todas as formas. Por raça, opção sexual ou deficiência física e/ou intelectual, não importa. Façamos do pré-conceito, um conceito definido baseado no respeito, amor ao próximo e proncipalmente na ação. Pelos nossos filhos condicionados a viver neste mundo criado por nós mesmos. Por um futuro mais justo e em paz. SEM PRECONCEITO.
@marihartdore

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Mari, agradeço imensamente tua participação aqui no meu cantinho e compartilho com você a idéia de que se todos convivessem mais proximamente uns com os outros, tudo deixaria de ser tão estranho, tão diferente e todos passariam a ser vistos como pessoas normais, que é o que todos somos mesmo. Esta seria a verdadeira inclusão.

E vocês, o que acham?

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira
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