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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O descaso com a saúde pública – post 2

A falta de estrutura dos municípios em atender bem a saúde é visível. O despreparo ou desinteresse médico (ou ambos) também é gritante. (Leia aqui o Post 1).

Mas o pior problema da saúde pública é certamente político. Quem tem o poder e a obrigação de ser gestor dessa esculhambação, usa sempre a velha desculpa de que faltam verbas. Ora, o que não falta é verba! Falta organização, falta gestão, falta boa vontade, falta interesse.

Voltando a dar como exemplo a minha realidade, nosso PA voltou a ficar sem médico ontem. (Aqui tem a notícia no jornal local, é preciso fazer cadastro pra ler, mas é simples e rápido). Foi a 11ª vez em 30 dias. Ontem a falta de médico durou quase 7 horas! 

Enquanto isso, a emergência do hospital superlota e obviamente diminui muito a qualidade do atendimento.

E a situação toda já vem grave desde a raiz, já que os postos de saúde não prestam o atendimento que deveriam e as pessoas procuram o plantão ou a emergência do hospital para consultas médicas, receitas de medicamentos e resolução de dúvidas simples que poderiam ser atendidas nos postos.

palhao

Se tem algo que sempre me impressionou muito desde que vim morar aqui há 18 anos, é o fato de uma cidade que tem em torno de 80 mil habitantes ter um único PA 24 horas, que quando tem médico é apenas 1 (UM!!!) e nunca conta com um pediatra.

Postos de saúde que não funcionam, que contam com poucos médicos e consequentemente tem um número de consultas limitado, restrito, ineficaz.

Isso tudo é uma bola de neve. A ineficiência dos postos gera acúmulo no PA. A ingerência do PA superlota o hospital. A superlotação do hospital que também é ineficaz contando apenas com um médico para atender ao SUS, a falta de especialistas, a total desassistência faz com que a população procure atendimento na capital, gerando problemas lá também.

Enfim, os problemas são conhecidos. Mas e a solução? A solução é complicada e depende muito da boa vontade dos gestores públicos. Mas cada um pode fazer a sua parte. Cobrar soluções é algo que todos podemos (e devemos) fazer. Não aceitar essa bagunça, não se conformar com um serviço medíocre, não ficar achando que é melhor isso do que nada.

Eu não entendo o suficiente para apontar as soluções, infelizmente. Mas sei que temos direitos que precisam ser respeitados e devem ser exigidos.

sábado, 3 de novembro de 2012

O descaso com a saúde pública - Post 1

Falar sobre o descaso com a saúde no Brasil é chover no molhado. Há muito que a situação já passou de crítica para desesperadora.

Aqui em Cachoeira não é diferente. Até nem é tão ruim, se levarmos em conta o que vemos acontecer país afora todos os dias nos jornais, mas longe de ser um consolo, isso só prova o quanto nosso nível de exigência anda baixo.

A situação anda tão pavorosa, que os usuários de planos de saúde (anos atrás, sonho de consumo de qualquer mortal) estão tendo inúmeros problemas e virando campeões de queixas aos procons.

Mas voltando à vaca fria ou seja, ao SUS, aqui temos o seguinte problema: marcar consulta no posto de saúde é tarefa de ninja. Não existem mais filas, mas isso não diminuiu em nada a dificuldade da marcação, pois como agora são feitas por telefone mas continuam com o mesmo número limitadíssimo, a gente não sabe ao certo se as consultas se esgotam no primeiro minuto após serem abertas, ou se eles simplesmente tiram o fone do gancho  enquanto a gente gasta os dedos tentando a ligação.

Pra piorar, o único PA 24 horas da cidade vive sem médico. Esse é um problema antigo e para tentar solucioná-lo a prefeitura terceirizou o serviço. O resultado? Piorou. A empresa, além de não cumprir o contrato, é difícil de ser contatada para dar explicações.
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Acaba o povo todo indo parar no plantão do hospital, que tem mais conforto e a garantia do atendimento, mas conta sempre com um (UM!!!) único médico plantonista para atendimento ao SUS, gerando superlotação e uma espera cruel pra quem já está debilitado.

O que acontece é que as pessoas desistem de procurar o médico. Uma historinha que aconteceu comigo há alguns anos, ilustra bem o quadro: Sentia algo no coração, não sabia explicar direito, mas me sentia mal com aquilo. Várias vezes procurei o médico pra falar daquilo, mas a consulta demorava tanto, exames idem, que não estava sentindo mais nada no dia e passava por doida. Uma vez o médico me disse que fosse lavar roupa que passava, brigou comigo porque eu estava ali tirando o lugar de quem precisava.

Anos mais tarde, sem saber do meu problema (já que eu mesma não sabia), outro médico me receitou um diurético. Tive uma crise violenta de arritmia (esse era o problema) e fui para num hospital particular, levada pelo meu patrão. Tive que ouvir do médico que devia ter investigado isso antes, que poderia ter morrido por causa disso.

Ou seja, se a gente procura o médico pra prevenção (sem estar morrendo, desmaiando ou com uma hemorragia violenta) nos olham com pouco caso, nos chamam de histéricos e xingam por tirarmos o lugar dos outros. Se deixamos o lugar para os outros em situações mais graves, permitimos o agravamento de nossa própria situação. Ou partirmos para a automedicação, que pode aliviar sintomas, mas igualmente agravar o que sentimos, seja por mascarar uma doença realmente grave, seja pela intoxicação do organismo por medicamentos que muitas vezes nem precisamos.

Além de toda falta de estrutura para um atendimento adequado, ainda temos que conviver com o despreparo dos profissionais ou pior, com o seu desinteresse.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Sem comentários!

Outro dia vi minha amiga blogueira Mari Hart (Blog Diário de uma mãe polvo) falando sobre os visitantes fantasmas do seu blog. Na ocasião, ela falava que embora receba algo em torno de 2mil visitas diárias, os comentários se resumem a meia dúzia. No meu blog que recebe 1/3 de visitas do dela, o formulário de comentários às vezes fica às moscas.

Não deixei comentário (ops!), mas fiquei pensando sobre o assunto e cheguei a algumas conclusões baseadas em minha própria experiência.

Eu ando tão estimulada a comentar em blogs, como estou em blogar (ou seja, nível próximo de zero) então não tenho comentado muito mesmo. Nem quando o assunto me interessa.

Comentarios

Um dos motivos que me levaram a esse desinteresse todo é a tal da lei da reciprocidade. É uma lei não escrita, onde subentende-se que todo mundo que comenta espera uma visita de retorno. Não tenho nada, absolutamente, contra isso. O que me incomoda é só receber comentários de blogs onde comentei antes ou parar de receber comentários de alguém que os fazia regularmente só porque falhei algumas postagens suas.

Nada contra em visitar os blogs de quem me visita, mas me reservo o direito de comentar naqueles cujo assunto tem a ver comigo, onde tenho uma opinião a respeito. Não gosto de comentários “genéricos” ou superficiais, já fiz muito isso para manter a política de boa vizinhança e isso acabou por me tirar tempo e acabar com o prazer de comentar e até mesmo de ler os blogs dos quais mais gosto.

Também fiz parte de grupos de blogueiras, isso foi muito bom pois me fez conhecer pessoas incríveis e blogs muito bons, mas acabou por criar uma obrigação de comentar em blogs que nada tem a ver comigo. Não que sejam blogs ruins, muito pelo contrário, mas falam de uma realidade muito diferente da minha. Ler vez ou outra pode ser legal, mas todo dia e por obrigação… Não, muito obrigada!

CB5

Sei que às vezes é legal alguém passar pelo blog só pra dizer um “oi”, mas que isso seja espontâneo e verdadeiro. Se ninguém mais ler o meu blog, paciência. Significa que preciso escrever melhor, mudar os assuntos, melhorar muita coisa. Mas se meia dúzia ler, que seja porque gosta, porque se identifica, porque aprende alguma coisa.

Nem só de comentários vive um blog. Recebo muito mais feedback anônimo (ou que ficam no anonimato) por email, msn, mensagens privadas nas redes sociais e até pessoalmente. Gente que não sabe ou não quer comentar abertamente mas se recusa a fazer comentário anônimo até porque deseja uma resposta.

O comentário é um carinho que a gente recebe e é muito bom sim. Mas é melhor quando é sincero e descompromissado. Por isso parei de me preocupar com a quantidade de comentários ou até se eles existem. Sei que independente deles, meu blog atinge positivamente muitas pessoas e é isso que realmente importa.

Depois de tudo isso, pode parecer um contrassenso o que vou dizer, mas… COMENTA AÍ!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Sobre novelas

Com a “comoção nacional” que foi o final da novela Avenida Brasil e com o início de mais uma saga do horário nobre, muitas discussões foram levantadas nas redes sociais.

Eis que resolvi dar minha opinião sobre o assunto.

Há quem diga que novelas são “lixo cultural”. Pode até ser. Mas as novelas só retratam a nossa sociedade. Pode não ser um retrato fiel, afinal se tratam de obras de ficção, mas tudo o que é mostrado ali, vinganças, ambições, casais polígamos, traições, corrupção, piriguetes e tudo mais, não foram inventadas pelos autores de novelas. Ao contrário, eles se inspiram na vida real para criar os seus folhetins.

Na literatura clássica, ou mesmo na contemporânea, dita como cool, também tem isso tudo e mais um pouco. Só o formato é que é diferente.

O que tornam as novelas um verdadeiro lixo cultural é a falta de senso crítico de quem as assiste. Tomam o que veem na TV como verdades absolutas ou comportamentos a serem seguidos, imitados.

E essa falta de senso crítico, na minha humilde opinião, começa quando os pais proíbem os filhos de assistirem à TV em vez de assistirem juntos e discutirem os temas expostos.

familia-tv

Respeitadas as faixas etárias, aquilo que cada idade tem capacidade pra entender, é uma boa fonte de inspiração para conversas familiares, onde os pais questionam os filhos sobre o que estão vendo e colocam para eles o que é certo ou errado, apresentam seus valores, propõem alternativas aos comportamentos nocivos dos personagens. Em síntese, novelas ou outros programas de TV são uma ótima maneira de se preparar os filhos para o mundo real, aquele que eles enfrentarão do lado de fora da porta de casa.

Sinceramente, me acho inteligente demais para ser iludida por romances, para ser induzida a comprar isso ou aquilo, para ter meu comportamento alterado por uma novela. Ao contrário, acho que muitos assuntos abordados nas novelas são relevantes e nos levam à reflexão e essa sim – a reflexão – pode nos levar a mudar nossas opiniões e a mudanças de atitudes.

Outro comportamento que acho errado com relação às novelas, são pessoas que deixam de fazer qualquer outra coisa na vida porque TEM QUE assistir à novela. Em tempos de internet, perder um capítulo - ou dez – não deixa ninguém desatualizado da trama. Ficar preso à novela é que afeta o discernimento.

Quanto ao final de Avenida Brasil, achei muito bom. A vilã se arrependeu, mas não ficou boazinha da noite para o dia, continuou azeda e estúpida, o que deu mais realidade, mais humanidade à ela.

E não há como negar que esse “lixo cultural” é feito com muita qualidade e nossas novelas são as melhores do mundo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Lição de vida

Recebi este texto por email da minha amiga querida Liane e achei valioso demais para compartilhá-lo somente com alguns poucos amigos via email.

Acompanhem a história:

Um jovem de nível acadêmico excelente, candidatou-se à posição de gerente de uma grande empresa. Passou na primeira entrevista e o diretor fez a última e tomou a decisão.

O diretor descobriu através do currículo que as suas realizações acadêmicas eram excelentes em todo o percurso, desde o secundário até à pesquisa da pós-graduação e não havia um ano em que não tivesse pontuado com nota máxima.

O diretor perguntou, "Tiveste alguma bolsa na escola?" o jovem respondeu, "nenhuma".

O diretor perguntou, "Foi o teu pai que pagou as tuas mensalidades?" o jovem respondeu, "O meu pai faleceu quando tinha apenas um ano, foi a minha mãe quem pagou as minhas mensalidades."

O diretor perguntou, "Onde trabalha a tua mãe?" e o jovem respondeu, "A minha mãe lava roupa."

O diretor pediu que o jovem lhe mostrasse as suas mãos. O jovem mostrou um par de mãos macias e perfeitas.

O diretor perguntou: "Alguma vez ajudaste a tua mãe a lavar as roupas?", o jovem respondeu, "Nunca, a minha mãe sempre quis que eu estudasse e lesse mais livros. Além disso, a minha mãe lava a roupa mais depressa do que eu."

Imagem: daqui

O diretor disse: "Eu tenho um pedido.  Hoje, quando voltares, vais e limpas as mãos da tua mãe, e depois vens ver-me amanhã de manhã."

O jovem sentiu que a hipótese de obter o emprego era alta. Quando chegou a casa, pediu feliz à mãe que o deixasse limpar as suas mãos. A mãe achou estranho, estava feliz mas com um misto de sentimentos e mostrou as suas mãos ao filho.

O jovem limpou lentamente as mãos da mãe. Uma lágrima escorreu-lhe enquanto o fazia. Era a primeira vez que reparava que as mãos da mãe estavam muito enrugadas, e havia demasiadas contusões nas suas mãos. Algumas eram tão dolorosas que a mãe se queixava quando limpava com água. Esta era a primeira vez que o jovem percebia que este par de mãos que lavavam roupa todo o dia tinham-lhe pago as mensalidades. As contusões nas mãos da mãe eram o preço a pagar pela sua graduação, excelência acadêmica e o seu futuro. Após acabar de limpar as mãos da mãe, o jovem silenciosamente lavou as restantes roupas pela sua mãe.

Nessa noite, mãe e filho falaram por um longo tempo.

Na manhã seguinte, o jovem foi ao gabinete do diretor.

O diretor percebeu as lágrimas nos olhos do jovem e perguntou: "Diz-me, o que fizeste e aprendeste ontem em tua casa?"

O jovem respondeu: "Eu limpei as mãos da minha mãe, e ainda acabei de lavar as roupas que sobraram."

O diretor pediu: "Por favor diz-me o que sentiste."

O jovem disse: "Primeiro, agora sei o que é dar valor. Sem a minha mãe, não haveria um eu com sucesso hoje. Segundo, ao trabalhar e ajudar a minha mãe, só agora percebi a dificuldade e dureza que é ter algo pronto. Em terceiro, agora aprecio a importância e valor de uma relação familiar."

O diretor disse: "Isto é o que eu procuro para um gerente. Eu quero recrutar alguém que saiba apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que conheça o sofrimento dos outros para terem as coisas feitas, e uma pessoa que não coloque o dinheiro como o seu único objetivo na vida. Estás contratado."

Mais tarde, este jovem trabalhou arduamente e recebeu o respeito dos seus subordinados. Todos os empregados trabalhavam diligentemente e como equipe. O desempenho da empresa melhorou tremendamente.

Uma criança que foi protegida e teve habitualmente tudo o que quis, vai desenvolver- se mentalmente e vai sempre colocar-se em primeiro. Vai ignorar os esforços dos seus pais, e quando começar a trabalhar, vai assumir que toda a gente o deve ouvir e quando se tornar gerente, nunca vai saber o sofrimento dos seus empregados e vai sempre culpar os outros. Para este tipo de pessoas, que podem ser boas academicamente, podem ser bem sucedidas por um bocado, mas eventualmente não vão sentir a sensação de objetivo atingido. Vão resmungar, estar cheios de ódio e lutar por mais. Se somos esse tipo de pais, estamos realmente a mostrar amor ou estamos a destruir o nosso filho?

Pode deixar o seu filho viver numa grande casa, comer boas refeições, aprender piano e ver televisão num grande plasma. Mas quando cortar a grama, por favor deixe-o experienciar isso. Depois da refeição, deixe-o lavar o seu prato juntamente com os seus irmãos e irmãs. Deixe-o guardar seus brinquedos e arrumar sua própria cama. Isto não é porque não tem dinheiro para contratar uma empregada, mas porque o quer amar como deve de ser. Quer que ele entenda que não interessa o quão ricos os seus pais são, um dia ele vai envelhecer, tal como a mãe daquele jovem. A coisa mais importante que os seus filhos devem entender é a apreciar o esforço e experiência da dificuldade e aprendizagem da habilidade  de trabalhar com os outros para fazer as coisas.  
 
Quais são as pessoas que ficaram com mãos enrugadas por mim? O valor de nossos pais.
 
Um dos mais bonitos textos sobre educação familiar que já li...leitura obrigatória para nós pais e, principalmente, para os filhos.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Fampyra - Petição Pública

Recebi um comentário hoje, numa postagem antiga (que pode ser visto aqui) e achei de muita importância para ficar perdido lá atrás no blog.

Por isso resolvi reproduzi-lo aqui, para que todos possam vê-lo, pois é de interesse de todos os portadores de Esclerose Múltipla, bem como de seus amigos, familiares e cuidadores.


"Meu pai é portador de Esclerose Múltipla (EM). Diagnosticado em 2003, a EM é uma doença que atinge o sistema nervoso central, degenerativa autoimune, sem causas conhecidas e sem cura até o momento.

Todos os tratamentos ministrados desde então, são em busca da manutenção do estado de saúde, contudo, a medicação existente no Brasil hoje não da conta do tratamento.

Recentemente, um laboratório nos EUA o Biogen Idec, lançou uma medicação Fampyra, que vem apresentado um excelente resultado nos casos de EM, nos três meses em que ministramos o tratamento, tivemos significativas melhoras no quadro de saúde.


Contudo,este medicamento somente é liberado pela comercialização nos EUA e recentemente nos países da Europa. O custo da medicação e muito alta e recentemente o poder judiciário afastou a obrigação do estado em fornecer a medicação em função da inexistência do registro da Anvisa.

Por isto, estamos mobilizando um abaixo assinado para que se regularize esta situação o mais rápido possível, para que não só o meu pai, mas para que muitas outras pessoas que estão dependendo desta medicação possam ter um tratamento digno e uma melhor qualidade de vida, já que não há cura para a EM.


O documento está disponível no link abaixo:

http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N29736

Desde já agradeço.


Ana Nicolay"

Leiam com atenção, assinem a petição e espalhem para o maior número de pessoas possível. Todo medicamento que produz uma melhora significativa da qualidade de vida de um paciente de EM merece ter essa atenção especial.

Obrigada a todos que ajudarem. Obrigada Ana por partilhar essa informação.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Cadê o bebezinho que estava aqui?

“Não sou bebezinho mamãe, sou Letícia!”

Já faz muito tempo que ela não aceita mais ser chamada de bebê, mas o que ela não sabe é que filhos caçulas jamais crescem, são sempre bebezinhos aos olhos da mãe.

Mas ao contrário do que a mãe vê e do que secretamente deseja – que aquele pequeno ser seja sempre seu bebê – ela cresceu.

Ela é teimosa e muito braba quando quer algo, mas é a criatura mais doce e meiga que existe quando tudo está de acordo com seus desejos. O grudinho da mamãe, chiclezinho, aprende muito rápido, observa as irmãs e as imita em tudo e com isso aprende tudo o que elas ensinam, das letras do alfabeto à subir em locais inapropriados, dos números às incursões aos armários da cozinha, de brincar no escorrega à subir nele pelo lado contrário.

Já conta até dez e escreve seu nome, se veste e se calça quase sempre sozinha, pede ajuda em casos extremos quando não consegue mesmo fazer algo, mas sempre quer e tenta fazer tudo sozinha.

Esse serzinho cheio de personalidade e determinação, doçura e “fofice” está de aniversário amanhã. Três anos. E por mais que eu deseje reter o tempo, ele passa, independente da minha vontade.

Então deixa eu ir lá, afofar o meu bebê antes que cresça demais.

Parabéns Letícia! Que Deus te abençoe e ilumine sempre e que o amor que todos nós temos por ti te façam crescer feliz!

video 
Alguns momentos desses 3 anos.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Política

Há quem diga que não gosta de política. Nem de políticos. Entendo, todo dia vemos histórias de corrupção, de lavagem de dinheiro, de conchavos, artimanhas e outras coisas menos publicáveis sobre nossos políticos.

Mas para essas pessoas vou dar uma notícia: a vida é feita de política e mesmo quem foge dela, exerce de uma forma ou outra a política.

Exercemos a política diariamente, no modo como nos relacionamos com nossos vizinhos, na maneira como tratamos nossos colegas de trabalho ou negociamos um aumento com o chefe, no jeitinho em que criamos nossos filhos fazendo acordos, estabelecendo regras e rotinas e mostrando que cada ato tem uma consequência: atos bons geram consequências boas e atos ruins geram consequências ruins.

As pessoas bradam por mudanças, querem justiça social, menos impostos, mais segurança, saúde e educação. Querem cidadania. Mas não querem exercer seu maior direito - e também dever - de cidadão: votar.
Imagem: Daqui


Alguns irão me perguntar – “pra que votar? em quem votar?” – Mesmo que os candidatos não sejam dos melhores, mesmo sem muita esperança, é preciso votar. É um dever cívico, mas também é nosso direito! Temos o direito de escolher quem vai administrar nossas cidades e quem vai nos representar diante deste administrador.

“Ah, mas são sempre os mesmos!” – Pode ser, mas tem algum que ainda não foi eleito. Vote nele. Se ele não for bom o suficiente, sua eleição mostrará aos outros – aqueles de sempre – o descontentamento do povo com as suas ações ou omissões.

Somos responsáveis pelas mudanças que almejamos. Se desejamos cidadania, temos que exercê-la.

Assistir ao horário político pode ser uma chatice, mas ainda é a melhor forma de conhecermos todos os candidatos. Vê-los falar, ver como se articulam e principalmente, ver o que propõem é essencial para uma boa escolha. Também pode render boas risadas vendo os absurdos que nos ofertam.

Omitir-se não é a melhor saída. Omitir-se é perder o direito de escolher, é perder o direito de cobrar, é perder o direito de denunciar e punir quem sai da linha.

Não se omita, exerça seu direito.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Voltando...

Bem, estou de volta.

Fiz algumas mudanças no blog como vocês irão notar, deixei o visual um pouco mais "limpo".

Mudei o sistema de comentários, adicionando a opção de comentários do facebook. Para os comentários antigos, feito via "Disqus" eles aparecerão como se eu mesma tivesse feito, não consegui arrumar isso, mas não se preocupem, EU pelo menos sei quem foi que comentou.

Pretendo mais tarde ainda modificar mais o layout, principalmente o banner, mas como sou eu mesma que faço essas alterações e não entendo muita coisa, preciso de um tempinho maior para ajeitar as coisas e deixar elas como eu quero.


Mesmo sem ter feito todas as mudanças que pretendia, não podia deixar o blog fechado por muito tempo, afinal por mais artesanal e simples que ele seja, é referência para algumas pessoas e em respeito a elas o blog precisa continuar.

Espero que as mudanças tornem o blog mais leve e fácil de navegar e que vocês estejam sempre por aqui.

Um abraço e obrigada mais uma vez pela paciência e pela audiência.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Pausa pra reformas

Queridos,

Nos próximos dias irei fechar o blog. Não definitivamente (eu acho), somente por um tempo.

Preciso fazer algumas reformulações, inclusive de rota. Ando muito desmotivada, sem assunto, me repetindo.

Também quero fazer algumas mudanças gerais e por isso vou deixá-lo inascessível por um tempo ainda indeterminado até que todas as mudanças sejam feitas.

Por isso não se assustem. Se derem de cara com o blog fechado, já sabem que é por um bom motivo.

Obrigada sempre pela companhia e pela compreensão. Não se esqueçam de mim, em breve estarei de volta!

Até logo!
Imagem: Daqui



Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A saga do dedinho

Na terça-feira,enquanto arrumava as crianças para a escola, fui no meu quarto pegar algo e na saída, com pressa, chutei o pé da cama com meu dedinho. E chutei com muita força! Na hora, dei um grito, e fiquei um tempo sem respirar, de tanta dor.

Esperei o marido levar as crianças pra escola e depois fui até a emergência do hospital. Achei que tinha quebrado o dedo, que a essa altura estava roxo e inchado.

Esperei por 3 horas (dedinho do pé não é prioridade pra ninguém) pelo atendimento médico e o raio X, mas como não apareceu fratura, foi dispensada sem nem sequer uma receita de algum remédio pra dor, muito menos uma orientação médica.

No outro dia, voltei ao hospital para buscar o laudo do raio X e veio a surpresa: fizeram raio X do dedo errado!

Foram duas chapas, uma do pé visto de cima ( e aí não aparece fratura mesmo) e a outra com o pé visto de lado. Mas quando foram bater, virei o lado que estava doendo pra cima e o rapaz disse que era do outro lado. Como eu acreditava que ele entendesse mais do que eu, virei o pé como ele me mandou. A chapa foi tirada tendo em primeiro plano o dedão e não o dedinho. O.o

Tudo bem, acho que não quebrou mesmo, pois embora ainda sinta muita dor e o dedo esteja roxo, ele desinchou e já estou conseguindo andar melhor. Mas assim mesmo voltei lá na emergência para questionar.

A resposta? Foi feito uma chapa do pé todo. Tá, tá bom,mas e se a fratura fosse na lateral do pé, iria aparecer? Atendente com cara de caneca e nenhuma resposta. Quando questionei sobre ele não ter me prescrito nenhuma medicação a resposta foi ainda mais surpreendente: como não houve fratura, deixou de ser emergência, se eu quisesse algum remédio, deveria ir ao posto, enfrentar nova espera e então pedir ao médico do posto.

Tudo bem que foi só o dedinho do pé. Tudo bem que eu sei o que tomar pra aliviar a dor. Mas o que me incomoda é que não é a primeira vez que saio de lá sentindo dor e sem uma orientação adequada. O médico nem falou comigo depois de ver o raio X, fui dispensada pelo enfermeiro. Também não é só comigo que isso aconteceu. Várias pessoas, tanto nessa quanto de outras vezes que estive ali, que caíram tombos homéricos, acidentaram-se de carro e etc., com queixas de dores fortíssimas, ao serem informadas pelo enfermeiro de que não houve fratura, saem de lá assim, dispensadas como se tivessem só se fresqueando e sem nenhuma receita ou orientação.

Não quis criar caso com a atendente, que nada tem a ver com isso, porque a emergência estava cheia e meu dedinho do pé certamente não irá me matar (por mais que doa), mas achei tudo muito absurdo. O meu caso era simples, e mesmo que tenha quebrado o dedo e não tenha aparecido por causa do raio X quebrado, não terei consequências, exceto a dor que estou sentindo não haverá sequelas. Mas e os outros?

Pulsoterapia

Na semana passada estive em Porto Alegre para realizar as minhas 3 sessões de pulsoterapia, tratamento usual para as crises de E.M..

Desta vez, não quis me arriscar por aqui e minha decisão se mostrou bem acertada.

Tem a parte enjoada: a viagem, a ansiedade gerada por ela, o sono que fica muito prejudicado, ter que incomodar os outros para poder ficar por lá. Mas tem a parte boa: lá me sinto muito melhor assistida, mais segura. Isso reflete até mesmo na minha condição pós medicação.Com menos estresse, fico mais controlada.

No primeiro dia, como desembarquei direto no hospital, estava carregada com as tranqueiras que levei para 3 dias. Chegando no “Hospital Dia” uma grata surpresa: uma amiga, também “esclerosada”, também aguardava pela pulso. Não é legal ver os amigos passando por isso, mas adorei ter companhia.

Lá em Porto Alegre o procedimento é feito com muito cuidado e segurança. A medicação é posta em bomba de infusão como tem que ser. Peso, pressão arterial, glicose, temperatura são checados direitinho antes e depois das duas horas de duração da medicação e tem a vantagem de poder ficar com o acesso na veia os 3 dias. Tem gente que não gosta de ficar com o acesso, mas eu tenho veias chatas de pegar. Da outra vez, quando fiz aqui, em cada um dos 5 dias me judiaram mais de uma vez a procura das minhas veias, fiquei toda roxa. Dessa vez, um único furinho certeiro na mão esquerda, nem marca ficou.

Além desse cuidado todo, a enfermeira e as técnicas ficam todo tempo em redor da gente. Um médico também está presente. Fazem seu trabalho, mas também nos dão atenção e carinho. A companhia da Débora também foi primorosa, já que papeando o tempo passa mais rápido.
Eu e Débora, rindo nem sei do quê naquela situação...
Ainda ganhei uma carona da Debora e o marido até a casa do meu primo, onde fiquei hospedada. Melhor que a encomenda!

Mas como nem tudo é assim tão fácil, o corticoide inicia suas reações adversas assim que entra na corrente sanguínea, ou seja, instantaneamente. A primeira é o gosto de ferrugem na boca. Dá uma sede, mas não há nada que tire esse amargor da boca durante semanas. Rubor facial, taquicardia, dor no peito. Pressão arterial e glicose podem descontrolar. Inchaço, fraqueza muscular e fadiga também estão presentes.

Nos outros dois dias a rotina se repetiu. A quebra ficou por conta da visita da Bruna, que foi lá nos dar uma forcinha.

Para quem precisa fazer esta medicação, controlar a alimentação na semana que antecede e também logo depois é essencial. Diminuir a ingesta de sódio para evitar a retenção de líquidos e consequentemente um aumento da pressão arterial é importantíssimo.  Cuidar também o açúcar e os carboidratos para evitar o aumento da glicose.

Como não me comportei direitinho, minha glicose alterou um pouco no 2º dia, mas depois entrei nos eixos e no último ela já estava normal. A pressão que era o que mais me preocupava pois da última vez ela subiu muito, dessa vez ficou dentro da normalidade todo o tempo.

Dessa vez me senti até muito bem, os sintomas do surto já tinham iniciado remissão nos dias anteriores à viagem. As reações da medicação são chatas, mas da última vez, fiquei pior da pulso do que estava do surto.

Minha viagem rendeu além da pulso. Mas os outros aspectos da viagem são assunto pra outro post…


domingo, 12 de agosto de 2012

Pra que serve um pai?

Pra proteger, amparar, segurar. Pai serve pra disciplinar, ou pra subverter a ordem. Pai serve pra  brincar, pra pular, andar de cavalinho, voar pelas alturas, usar a imaginação.

 

Pai tem um amor diferente de mãe. Mas isso não significa menor.  O amor do pai é mais preocupado com coisas práticas, com o preço da fralda, com a educação que a escola oferece, com que tipo de cara que é o tal namorado da filha.

Ser pai é deitar no chão com a criançada por cima para assistir pela 7856765ª vez a galinha pintadinha.

Pai disciplina e põe regras, mas também quebra todas se isso permitir alguns minutos de diversão entre ele e as crianças. Deixa a imagem de “bruxa má” para a mamãe sem o menor constrangimento.

 

Pai serve pra ensinar. Ensinar a falar, caminhar, voar. Ensinar a rezar, a crer, a confiar. Ensinar a comer verdura, a lavar a mão, respeitar os avós. Pai ensina a gostar de bicho, a não ter medo de barulho de avião, a chutar uma bola.

Ser pai é dar vazão à criatividade dos filhos, sem medo de parecer ridículo.

O pai que minhas filhas tem não é muito diferente do pai que eu tenho. São pais sensíveis, amorosos e dispostos para brincar. Também são pais para os quais os filhos não crescem. O meu, ainda quer agarrar minha mão para atravessar a rua.

 

Neste dia dos pais, o que tenho a dizer sobre eles é que são pais de verdade. Tem defeitos, limitações, chatices. Mas acima de tudo são pais que amam e se fazem presente na vida dos filhos. São pais cujo principal objetivo na vida é acertar e dar o melhor de si aos seus filhos.

 

Ao meu pai, que amo mais que tudo, que é exemplo e é amor, toda a minha gratidão e todo o meu amor são pouco para retribuir tudo que já recebi. Te amo meu pai. Felicidades pelo teu dia.

Ser pai é ter orgulho de estar ao lado dos filhos.

Ao pai das minhas filhas, agradeço à Deus por contar com tua ajuda, com teu amor e por ter tido a graça de além de meu amor e companheiro, ser o melhor pai do mundo para nossas filhas. Saúde e sucesso sempre. Feliz dia dos pais.



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Para Dani, Rafa e Jana

Queridos, quase um ano após a partida da nossa querida mãe, sogra e dinda foi muito bom rever vocês e ver que estão bem e tocando a vida.

Sei que não foi fácil este período de adaptação, mas estou orgulhosa de vocês. 

Rafa, você sempre foi o guri bom que é, mas sempre protegido pela mãe, teve que mostrar coragem e assumir as rédeas da tua própria vida. Gostei do nosso encontro, da maneira como fui recebida por ti, do nosso papo família, dessa aproximação que surgiu, pois o carinho sempre existiu. Estou orgulhosa do marido e pai que tu és e da nova força que vejo em ti. 

Sei que é uma chatice essas minhas “visitas”, por isso sinta-se a vontade para me dizer o que pensa sobre elas. Mas apesar de me sentir incomodando e tudo o mais, fico feliz em poder contar contigo. Segue teu caminho da forma como estás fazendo, amadurecendo e seja muito feliz meu primo. E saibas que posso não ter muito a te oferecer, mas terá sempre em mim o carinho de uma irmã mais velha e uma conselheira, sempre que precisares.

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Jana, pouco me importam os laços de sangue. Tu também és minha prima querida. Conquistou meu carinho, respeito e amizade. Apesar da pouca idade mostra uma força, maturidade e generosidade ímpares. Ainda tens muito a amadurecer, é natural pois você é pouco mais que uma criança, mas saiba que te admiro profundamente e sou grata por tudo que tens feito por minha família. Adoro você e conte comigo sempre!

Dani, você sempre foi uma menina meiga, carinhosa, extremamente generosa. Nada mudou, só aumentou. Fiquei feliz em te ver na tua casa nova, assumindo também definitivamente as rédeas da tua vida. Amo você um tanto que nem sei dizer. Te desejo sucesso nessa nova fase e toda a felicidade do mundo.

Tenho vivido um tempo de reencontros, viagens ao passado, resgate de amizades e memórias antigas. Ter vocês como elo entre o passado e o futuro me conforta, ter vocês como a parte mais próxima da família é uma benção. Tenho uma dívida de amor e gratidão para com tua mãe, mas nem é por dívida nenhuma que te digo de todo o coração: você e teu irmão são como meus irmãos também e quero sempre poder estar por perto e ajudar naquilo que vocês precisarem.

Quanto ao André, continua o mesmo bicho do mato antissocial de sempre. Mas isso não é uma crítica, talvez seja o jeito dele, talvez ele não simpatize muito comigo. Não me importo. Gosto dele mesmo assim. E apesar dele não me dar assunto, posso ver que está cuidando  bem de ti e te fazendo bem e pra mim é só isso que conta. Ele tem é que gostar de ti e não de mim! Diga a ele que cumpra sempre a promessa que me fez de cuidar bem de ti e vou ama-lo pra sempre.

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Cuidem sempre com muito amor da Rafaella, esse anjo lindo e doce. Ela representa o melhor de vocês todos condensados numa pequena criatura. Que ela cresça linda e forte rodeada do amor  de vocês e protegida pelas bênçãos enviadas pela vovó que tanto a amava.

Tenham paciência com o pai de vocês. Ele agora precisa de amor, carinho e compreensão. Sei que ele não facilita muito, mas dentro do possível relevem. Ele tem os defeitos dele, suas limitações e fraquezas, mas é o pai de vocês. E apesar de tudo, a mãe de vocês o amou profundamente a vida inteira. Pensem sempre nisso. Não passem a mão na cabeça, mas peguem leve. E o amem, apesar dos seus defeitos.

Daqui a um mês faz um ano que a dinda se foi. A dor ainda é forte, a saudade é imensa. Mas aprendemos todos muito com ela, o amor que temos por ela sempre nos manterá unidos, e o legado de amor, carinho, generosidade, força e determinação que ela deixou está presente entre nós. Quem deixa marcas tão profundas entre os seus, não morre nunca. Vive eternamente nos nossos  corações, nas nossas lembranças e se faz sempre presente nas nossas atitudes.

Ano Novo 107

Desculpem qualquer coisa. Sei que incomodo e atrapalho, mas também sei que vocês me recebem com carinho e paciência. Obrigada por tudo. Obrigada principalmente por me deixarem fazer parte da vida de vocês.

Amo vocês. 

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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Ainda Bem

Hoje me aproprio das palavras, da linda voz e da sensibilidade de Marisa Monte para desejar um feliz aniversário ao meu amor. Acho que além da música não preciso dizer mais nada né?

Ainda bem
Que agora encontrei você
Eu realmente não sei
O que eu fiz pra merecer
Você

Porque ninguém
Dava nada por mim
Quem dava, eu não tava a fim
Até desacreditei
De mim

O meu coração
Já estava acostumado
Com a solidão

Quem diria que a meu lado
Você iria ficar
Você veio pra ficar
Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
Assim

O meu coração
Já estava aposentado
Sem nenhuma ilusão

Tinha sido maltratado
Tudo se transformou
Agora você chegou

Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
Assim


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Quantos anos você tem?

Cada dia me convenço mais que a idade das pessoas está na cabeça de cada um.

Neste final de semana tivemos nosso tradicional festival de massas e lasanhas, promoção do grupo do ECC da nossa paróquia para arrecadar fundos para a realização do próximo encontro.

Funciona assim: os casais que já fizeram o ECC, reunidos em pequenos grupos, doam um prato de lasanha (vale qualquer receita) e a equipe responsável pela promoção faz o resto: massas, saladas e etc. O ingresso fica barato, a comida é farta, depois da janta tem baile. Todo mundo se diverte muito, come bem e ainda arrecadamos uns caraminguá pra realizar o encontro.

Pois bem, fiquei observando as pessoas. Tem gente muito jovem, cheios de cacaca. Ficam sentados todo o tempo, com cara de fastio. Acham tudo muito chato e não se divertem com nada.

Em compensação, tem gente de mais idade que se diverte pra valer. Em outras palavras, solta a franga.

dancando

É interessante ver a marmanjada se requebrando toda ao som de músicas antigas, tipo a trilha sonoro dos “embalos de sábado à noite” ou “twist and shout” dos Beatles. Ou ainda tentando acompanhar a gurizada nas coreografias de músicas da moda como o tema das “empreguetes” ou “assim você mata o papai”, só pra citar uns exemplos.

Homens adultos, sérios, das mais diversas profissões, pais de família de respeito, desmunhecando e rebolando no meio do salão só pelo prazer de se divertir e fazer os outros rirem. Gente que não tem vergonha, que ri de si mesma e que diverte todo mundo.

No final da noite, todo mundo já cansado, seja pela festa ou pelo trabalho (já que o trabalho é todo feito por nós mesmos) mas ainda assim com energia pra dançar, falar bobagens e dar muita risada.

Olhando assim, ninguém parecia ter mais de 15 anos.

E você, quantos anos tem?



sexta-feira, 13 de julho de 2012

Tô surtando!


Não, não liguem pro hospício, não tô quebrando tudo nem pretendo afogar as crianças na privada. O surto não é de loucura, é da E.M. mesmo.

Todo mundo já confunde esclerose múltipla com demência, caduquice e a gente ainda chama de surto uma nova crise, pronto! Povo já se apieda e acha que estamos loucos.

No blog Esclerose Múltipla achei essas perguntas e respostas que esclarecem o termo:
"O que são os surtos de Esclerose Múltipla?
São os momentos em que está havendo uma inflamação muito intensa no seu sistema nervoso (cérebro, cerebelo, medula, alguns nervos da cabeça).

Todos os doentes tem surtos?
Esta é a forma mais comum da doença, chamada de “Surto-Remissão”, pois os surtos aparecem e desaparecem. Outros doentes têm formas progressivas, que evoluem continuamente, sem melhora. Nestes casos pode também haver surtos por cima da evolução contínua.

Como vou saber se estou tendo um surto de Esclerose Múltipla?
É muito importante você saber se está tendo um surto, pois eles podem ser tratados logo no início, com rápida melhora dos sintomas. Os surtos são caracterizados por sintomas de alteração visual, de força, de coordenação, de equilíbrio e de sensibilidade que progridem ao longo do dia e duram no mínimo 24 horas."
Então é isso, estou em surto. Nada muito grave, uns formigamentos aqui e ali, um pouco de tontura, perda de equilíbrio, muita fadiga e a cabeça parecendo que está cheia d'água.

Nesta semana faço uns exames e na primeira semana de agosto me submeto a 3 sessões de pulsoterapia.

Desta vez não vou fazer aqui em Cachoeira pois me senti muito mal assistida aqui. Farei no Hospital Dia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Enquanto aguardo pelo tratamento, torçam por mim.

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O desfralde


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Cof, cof, cof... quanto pó neste blog! Faz tempo que não venho aqui. Mas vamos lá, deixa eu dar uma espanadinha aqui, outra ali... pronto! Agora vamos ao que interessa.

Sempre soube que o desfralde da Letícia seria complicado. Não por ela, que é bem esperta, mas por mim que não disponho de tempo para ensiná-la.

Para a criança entender a mecânica do uso do penico ou vaso sanitário, é preciso levá-la, deixar que se sente, se acomode e ter paciência de esperar que o milagre aconteça. Isso é complicado pra mim, pois enquanto estou no banheiro com ela, as outras duas estão aprontando.

Então, tentei o desfralde no verão, mas ela ainda não estava pronta. Quando a temperatura começou a cair, relaxei e me conformei em esperar até o próximo verão.

Mas eis que me surpreendi com a minha caçula. Quando ela se sentiu pronta, o milagre aconteceu.


Dia desses, eu na cozinha já iniciando os preparativos do almoço, ela vem e me diz que não quer mais a fralda. Nem dou muita importância e peço que espere um pouco. Mas minha pequena impaciente não espera nada, parou na porta do banheiro, baixou a roupa, puxou a fralda fora, vestiu a roupa.

Dali a pouco disse que queria xixi. Corri no banheiro, mas ela logo gritou: "EU!" - Ela mesma baixou a roupa e escalou o vaso sanitário (porque penico é coisa de bebê e ela já é uma mocinha) e ficou lá sentada, se achando a bolacha mais recheada do pacote. Mas não fez nada.

Um bom tempo depois, falou do cocô. Aí o papai correu e colocou ela no banheiro. Dali um pouquinho papai grita e mamãe sai correndo pra ver: FEZ! Depois de muitas sentadas improdutivas, finalmente o êxito. Foi uma festa! As irmãs vieram ver, todo mundo aplaudiu e ela ficou toda toda.

Mas é claro que não seria tão simples assim. Meia hora depois ela fez xixi em cima da minha cama.

O pontapé inicial foi dado, agora ela entende o que tem que fazer ali. Depois disso ela já pediu diversas vezes e já conseguimos vários xixis e cocôs no vaso. Mas não posso deixá-la sem fraldas agora, tá muito frio e não há roupa (nem mãe) que chegue.

O importante disso tudo, é que foi sem estress, no tempo dela. Ela decidiu a hora em que queria experimentar e, tendo êxito, entendeu a moral da história. Como eu continuo sem forçar a barra e sem me estressar, ela também tá tranquila. Quando dá certo ela fica feliz e faz festa, quando não dá ninguém se estressa.


Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Pérolas e algumas historinhas

Domingo, frio, almoço na mesa. Resolvemos abrir um vinho. Aline olha a garrafa na mesa e diz: “mamãe, isso é sangue de Jesus”.

***

Segunda feira. Decidi comprar cobertas novas pras meninas. As que tinham em casa além de gastas, estavam poucas para os dias de muito frio. Comunico as meninas disso. Depois de dizerem como queriam, que cores queriam e todos os tipos de detalhes possíveis (ó o espírito consumista despertando) Aline me faz o pedido derradeiro: “mamãe, me compra uma cauda de peixe (sereia) pra mim nadar.” Tá, vou tentar...

***

Edredons novos nas camas. Entre os vários desenhos, algumas notas musicais. Segundos depois da 1ª olhada, Letícia me chamou, mostrou  uma das notas e cantou pra mim: “Ai lolé, ai lolé” (traduzindo: Ai olé, ai olé foi na loja do mestre André…) Galinha pintadinha ensinando algumas coisas…

Isso não tem uma cara de sapeca?

 

***

Dia difícil. Passei o dia batendo perna na rua, mil coisas pra fazer. Mal cheguei em casa e já tive que sair de novo para uma reunião. Cheguei tarde em casa e as crianças ainda ferviam. Depois dos banhos, e já arrumadas na caminha, fui buscar as mamadeiras e dar boa noite. Enquanto espero a Aline terminar (ela é sempre a última), Camila pega minha mão e lasca: “Como você é linda mamãe. Te amo mamãe.” Valeu o dia.

***

Meninas trouxeram da escola o “primeiro dever de casa”. Mamãe deveria ler uma historinha de um livro enviado pela professora, desenhar a história e se preparar para conta-la aos coleguinhas no dia seguinte. Detalhe: uma história diferente pra cada uma.

Contei as histórias separadamente e repetidas vezes. Depois, dei folhas em branco e os estojos para elas e… mão à obra! Elas compreenderam bem as histórias, cada uma contou a sua bem direitinho (no outro dia também para a professora e os colegas), mas não houve Cristo que as fizesse entender que só deveriam desenhar os elementos da sua história. Cada uma desenhou algo da história da outra junto. Mandei assim mesmo.

Trio fazendo dever de casa.

***

Marido sempre busca as crianças na escola. Para evitar atrasos e que elas fiquem sozinhas esperando, quando necessário vou e busco primeiro a Letícia que sai mais cedo, depois vou junto com ela à escola das gêmeas. Aí esperamos pelo papai, ou vamos indo devagarinho e ele nos encontra no caminho. Dia desses ele me avisou que não poderia ir mesmo. Subi então a pé.

O trajeto não é tão longo e as gêmeas encaram bem. O problema é que tem um trecho de subida íngreme e a preguicenta da Letícia adora um colo. Devido ao meu problema de saúde, não posso dar colo pra elas na rua. Não tenho força e se eu forçar a barra, posso perder o equilíbrio ou ter uma crise intensa de fadiga que nem eu mesma consiga sair do lugar.

Fomos indo a pé numa boa. No comecinho da subida a pequena pede colo. Vou enrolando ela um pouco e apresso o passo. Ela começa a chorar. Como explicar não resolve, sigo em frente com ela aos berros e vou driblando ela. Quando entramos na nossa rua, ela simplesmente se senta na calçada. “Daqui não saio, daqui ninguém me tira”. Não teve conversa, não teve ameaça, não teve choro de mãe que a demovesse do firme propósito de só seguir adiante no colo.

À essa altura, eu já nem podia comigo depois de subir a lomba driblando ela e carregando 3 mochilas nas costas. Nem que eu quisesse muito. Numa última cartada, resolvo “abandonar” ela sentada na calçada e seguir adiante. Estava certa de que então ela levantaria e viria atrás de mim. Falei que ia embora, dei tchau e me virei. As outras duas quase me mataram. Uma chorava desesperada e me agarrava pelo braço dizendo que eu não podia deixar a coitadinha ali sozinha. A outra se botou de tapa em mim numa cena de total desespero impedindo que eu desse sequer um passo. A solução foi ligar pra Yasmin e esperar ela chegar da escola pra dar colo pra medonha. A birra do século, e tripla! Posso com isso?

***

Pra encerrar, umas fotinhos da visita do mano e o “amontoamento” delas em torno da “cunhada”. Gisele tem uma paciência de Jó, Deus conserve.

 

EntertimentoEstão tão juntas em torno da Gisele que mal saíram na foto.



quinta-feira, 14 de junho de 2012

Entre a paixão e o amor


Deixei passar em branco o dia dos namorados. Não tá fácil escrever, falta tempo, inspiração e até vontade. #prontofalei
Mas ontem, assistindo um trecho do programa Bem Estar com participação do médico ginecologista José Bento,   e do educador e filósofo Mário Sérgio Cortella de quem sou fã, ouvi algumas considerações que me fizeram pensar. (Quem quiser assistir, o link é esse: Globo - Bem Estar 12/06/12)
À luz da medicina e da filosofia, a paixão é um estado passageiro. Assemelha-se a qualquer droga, causa êxtase, mexe com nosso organismo, vicia. Não fosse passageira, não suportaríamos essa montanha russa de emoções.
Ou seja, não há nada que se possa fazer, a paixão tem prazo de validade. Findo este prazo ela acaba. A não ser que a transformemos em amor.
Isso não significa que quem ama não possa viver momentos de paixão, nem que não possa se apaixonar novamente pela mesma pessoa. Mas se isso não acontecer, também não significa uma vida sem graça.
Assim como existem viciados em adrenalina e viciados em drogas, também existem os viciados em paixão. Estas pessoas vivem intensamente o tempo do encantamento, mas não conseguem manter seus relacionamentos quando a paixão se extingue. Precisam dessa sensação permanentemente.
Mas aqueles que conseguem transformar a paixão em amor, se organizar em seus sentimentos, conseguem também ter relacionamentos mais longos e estáveis. A segurança é um bônus.
Como disse o professor, a paixão é o cérebro preenchido pelo coração, enquanto que o amor é o coração com o cérebro dentro.
O amor é a evolução da paixão. A paixão é um estado primitivo, o encantamento de dois seres visando a reprodução. Já somos mais do que isso, amar é a prova da nossa evolução.
Cada um sabe de si não sou eu quem vai dizer o que é melhor pra ninguém. Mas vou dizer o que é melhor pra mim. Já estive apaixonada, diversas vezes até. É muito bom, mas a gente também sofre muito. Em determinado momento, cansei desse sobe e desce de emoções. Foi então que descobri o amor.
De lá pra cá tenho sido feliz. Minha vida não é nem de longe uma estrada sem curvas, aclives e declives, e a paisagem também muda a todo instante. Mas ainda assim, é uma bela trajetória, um caminho gostoso de se percorrer.
Apesar de ter deixado passar o dia dos namorados e também o dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro, resolvi falar em paixão e amor, e digo que entre um e outro, eu fico com o amor. Fico com o meu amor.



P.S.: Este post faz parte da blogagem coletiva para o Dia dos Namorados, promovido pela Mulher e Mãe

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O banco


Todo mundo já se sentou em um banco de praça, ou em algum outro banco de rua.
Mas pra que serve um banco? Pra descansar de uma longa caminhada. Para uma pausa no dia e apreciar a paisagem. Para aproveitar o solzinho da manhã ou a quietude da tarde. Para ler um livro. Para cuidar da criança que brinca no parque. Para esperar o cãozinho dar seu passeio. Para flertar, namorar, beijar. Para esperar, ansiar, temer.
Já vimos e passamos por tantos! Certamente nos sentamos em muitos. Tanto que nunca pensamos nisso, tão corriqueiro que é.
Mas e quantas pessoas já passaram por um determinado banco? Aquele da praça já viu muita gente. Aquele da avenida principal também. Mas e aquele perdido numa ruazinha de bairro? E aquele do canteiro da avenida cinco?
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Aquele banco específico, viu tantos que já perdeu a conta. Gerações passaram por ele. Amizades começaram ali. Romances também. Alguns também tiveram fim naquele banco. Local de risos, de lágrimas, de brigas, de amores, de estudo, de cumplicidade, de segredos, de conflitos, de disputas, de ambiguidades, de discórdias, de vida. Muita vida em redor daquele banco.
Mas porque esse post inteiro falando de um banco? Porque o banco é o símbolo de um grupo de amigos que se conheceram e se reuniram durante anos em torno dele. Assim como é simbólico que o banco não estivesse mais lá quando depois de anos sem se verem, esses amigos se reencontraram.
Porque a vida seguiu seu curso, nós crescemos, seguimos nossas vidas, cada um foi pra um lado. Fora o nosso passado em torno desse banco, pouca coisa temos em comum hoje em dia. Mas a amizade permanece. E se a amizade permanece, não é a falta de um banco que irá nos distanciar novamente.
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