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domingo, 6 de abril de 2014

Médicos devem ser obedecidos, mas nem tanto.



O assunto sobre a mãe que foi levada a fazer uma cesárea contra a sua vontade por determinação judicial ainda fervilha, mas não é bem sobre esse assunto que quero falar, embora tudo o que eu digo aqui sirva também para o caso em questão.

Eu tenho um médico neurologista em quem confio plenamente. Depois de tantos anos de convivência, diria que somos até amigos, tenho liberdade pra falar sobre minhas dúvidas com ele e recebo em troca sempre respostas francas, ele já conhece todos os meus “mimimis” e já sabe como lidar com meu “gênio ruim”, tenho muita confiança nele e levo muito em conta suas opiniões e conselhos.

Mesmo tendo esse bom relacionamento com ele e muita confiança, não vou atrás de tudo o que ele me diz. Uso muito meu bom senso (ou a total falta dele) para acatar essa ou aquela determinação em meu tratamento ou na minha vida.

Médicos estudaram muito para serem médicos e tem cada um determinado nível de experiência, mas tem algo que falta a todos eles: eles não estão na nossa pele.

Mesmo num caso como o meu, onde meu médico conhece bem minha história, minha vida e minhas manias, é um especialista dos melhores que há em casos de esclerose múltipla, esta sempre estudando e se atualizando, ele não está na minha pele e nem vive minha vida. E tem coisas que simplesmente não concordo e não sigo.
 
Sempre que alguém me procura para falar sobre EM e gravidez, eu ouço alguém que em vez de estar sendo tranquilizada, minimizando a ansiedade própria da gravidez e que já nos causa tanto estress, está sendo ainda mais assustada pelos seus médicos com conselhos que são mais imposições do que realmente conselhos, apresentando um quadro infinitamente mais feio do que realmente é e deixando a criatura num beco sem saída, completamente sem opção.

Aconteceu comigo também, de uma forma mais branda, mas também meu neuro e meus GO's tentaram me impor que deveria ser desse jeito ou daquele. Teve coisas que não fiz, apesar da determinação dos médicos, porque achei que não eram necessárias ou que podiam ser de outra maneira e outras de que me arrependo de ter feito, indo contra o que gritava o meu senso interior.

Independente disso, meu conselho é que devam ter “aquela” conversa com seus médicos, franca, direta, expondo todas as dúvidas e temores e sendo firme em esclarecer principalmente aqueles pontos de que divergem. Nunca aconselho a desobedecerem a seus médicos, mas sempre a discordarem, discutirem, não se deixar levar pelas previsões alarmistas desanimadoramente contra a lógica, feita pela maioria deles principalmente no que se refere ao tipo de parto e amamentação.

No meu caso especificamente, assumi riscos e “peitei” as consequencias, mas cada caso é um caso e cada um é cada um e deve saber o que é melhor para si. Acredito que cada mãe deva ser esclarecida e conscientizada de suas reais possibilidades e riscos e que, baseadas nas suas variantes pessoais, tome suas decisões, faça suas escolhas. 

Não prego a rebeldia contra os médicos, mas não aceito que eles simplesmente imponham isto ou aquilo. Médico tem que esclarecer e não confundir ou simplesmente impor aquilo que for mais cômodo pra ele. A paciente tem o direito de conhecer suas alternativas, dentro do seu nível de entendimento, com todos os benefícios e riscos de cada uma e suas decisões devem ser respeitadas. E isso vale pra toda e qualquer situação.

Médicos sabem muito, mas não são donos absolutos da verdade, por isso devem ser obedecidos, mas nem tanto.
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